Tuesday, October 1, 2013

Tato

Ultimamente tenho dormido mal. Acontece geralmente se como muito ou se estou estressada com alguma coisa... Quase sempre faço um dos dois ou os dois...
Desde que me dei conta que precisava encarar as responsabilidades de um adulto, isto é: trabalhar, ralar, pagar as contas, desejar ardentemente não ter que ralar e me preocupar com "assegurar meu futuro", me dei conta que também me deparei com o desafio da maturidade emocional e também de entender na prática e sentir na pele o que é desenvolver a sensibilidade, o tal "ter tato".
Esses tempos ando me deparando sem surpresa mas com certa recorrência a noção de que o ser humano ao mesmo tempo que tem a  capacidade e o potencial para o bem, escorrega para o mal.
O fato de escorregar para o mal geralmente, envolve uma fofoca... Um hábito milenar malicioso e capaz de destruir tudo o que está no caminho!
É uma cama de gato que não quer ter solução... A gente se envolve ese deixa envolver para sanar aquela coceira de se sentir por dentro do grupo, para ganhar uns pontos com essa ou aquela pessoa, para satisfazer a necessidade vidrada de entretenimento e de adequação.
Dito isso... Recentemente, me peguei derramando água dos olhos por um desses episódios e isso me fez pensar que a primeira lição para mim mesma era: se tiver uma oportunidade de proteger o espaço pessoal e a intimidade de alguém, vou fazer e vou rezar para ter o tato e a sensibilidade de reconhecer quais são esses limites que não devem ser cruzados. Ás vezes a gente acha que pode julgar um amigo ou um parente porque afinal eles nos deram liberdades mas depois de verificar o efeito funesto da intriga e da maledicência, tenho tomado cuidado para não crucificá-los por aquilo que muitas vezes só ouvi falar. A gente é rápido em se armar com as pedras e justamente por defender uma corrente de ação inclusiva é que tenho tentado elaborar melhor minhas idéias sobre o que tenho experimentado no dia a dia e compartilhado esta constatação. Parte de Evoluir me parece,é largar esse osso de querer arrancar dos outros à força a nossa versão da verdade... Qualquer coisa que é arrancada á força se ressente do trauma. E que atire a primeira pedra aquele que não tem os seus.
Se as pessoas com quem me relaciono os abrem para mim, muito bem... Senão cada um tem a suas feridas para lamber e geralmente não precisa de audiência, precisa sim é de saber que está tudo bem e que se ainda não estiver, vai ficar.
Lembro da Maitê Proença falando num entrevista do porque de nunca ter comentado sobre sua tragédia familiar em público e graciosamente replicou: "cada um tem a sua cruz para carregar e acho que é elegante da minha parte fazer isso em silêncio... No entanto, quando escolhi falar, aprendi que quando as pessoas observam o que vem de fora, elas olham mesmo é para dentro'" 
Se eu puder evitar o mal em uma ocasião qualquer, que meu bom gênio me permita fazê-lo... Por escolha e pela calma de fazer certo pois não desejo para ninguém a dor e a tristeza que me infligiram por falta de, novamente, tato.
Estava lendo uma citação do Chico que diz "Fico triste quando alguém me ofende! Mas me sentiria pior se fosse eu o ofensor! Magoar alguém é terrível!"
Já tomei um calmante leve e hoje vou dormir pensando nisso... 

Thursday, December 27, 2012

O Retorno ao Amor

Faz tanto tempo que não escrevo que não sei se ainda sei como se faz isso. No fundo, acho que é um pouco como andar de bicicleta, a gente nunca esquece realmente. Nesses últimos dois anos, fui cuidar da minha vida. E procurando procurando (não necessariamente nos momentos mais brilhantes, mas na hora em que eu estava preparada), encontrei um livro da Marianne Williamson (sim, aquele que tem o texto que todo mundo acha que é do Mandela... mas não é... é dela, Marianne Williamson) que diz: "1. Só o amor é real, é uma criação eterna e nada pode destruí-lo. 2. Tudo aquilo que não for amor é uma ilusão. 3. Lembre-se disso e ficará em paz... O oposto do amor é o medo. Mas aquilo que tudo abrange não pode ter um oposto. Quando pensamos com amor, estamos literalmente co-criando com Deus. Quando não pensamos com amor,partindo do pressuposto de que apenas o amor é real, então, na verdade, não estamos realmente pensando. Estamos alucinando. E é isto que este mundo é: uma alucinação em massa, onde o medo parece mais real que o amor. O medo é uma ilusão. Nossa loucura, paranóia, ansiedade e trauma são literalmente imaginados. Não quer dizer que não existam para nós, seres humanos. Eles existem. Mas nosso medo não é nossa realidade final e não substitui a realidade de quem somos realmente. Nosso amor, nosso verdadeiro eu, não morre, fica apenas encoberto... O retorno ao amor não é o fim da aventura da vida, mas o começo. O amor levado a sério é uma visão radical, uma grandiosa partida da orientação psicológica que governa o mundo. É ameaçador não porque é uma idéia pequena, mas porque é tão enorme." Bem, num tempo em que dizem por aí que Deus está fora de moda, ouso dizer diferente... acho que Deus nunca esteve tão presente, tão acessível e tão comentado. Acho mesmo é que a maioria das pessoas simplesmente não sabem o suficiente sobre Ele e simplesmente dizem que não existe para evitar se conhecer. Deus é auto-conhecimento e um milagre é uma mudança de idéia. Acho que ultimamnte, andamos precisando de mais desses... pedir por um milagre é pedir para pensar diferente e fazer isso com amor, olhar para uma situação com mais suavidade. Nunca achei que fosse concordar com a Universal do Reino de Deus... mas é acho que é por aí... Deus é amor. Então, mesmo que você ache cafona, tabu ou whatever falar sobre aquela palavra com D, se você mantiver o amor como prioridade, então estará com Deus e onde está Deus, está também a paz interior.

Thursday, July 8, 2010

Antes de perder-se, encontrar-se.


Existem certas noites em que o sono simplesmente não vem.

Não existe chá calmante ou pensamento reconfortante que faça mudar o fato de que adormecer é a melhor saída e os olhos simplesmente não se fecham.

São as contas chegando ou o trabalho que não aparece, pode ser seu filho chorando ou o bolo que não cresce. São perguntas e dúvidas "o que a gente está fazendo aqui?", "qual é o meu talento?","se eu pudesse começar de novo, o que eu teria feito com a minha vida?" ... "veja só onde cheguei" ... "e para onde não fui".

No silêncio da madrugada fria, sob as luzes amarelas do meu quarto fico pensando no tanto de aflição que passa pela mente humana, passeando perigosamente no limite entre a integridade e a corrupção. Pouca gente pára para pensar em corrupção, mas não se trata apenas de um bando de políticos safados roubando o patrimônio de um povo usando terno e gravata, corrupção é trair uma verdade interior.

Estou escrevendo esse texto para quem está aí fora em desespero, vamos falar a verdade? Você já sabe que vou te dizer para ter calma e que tudo ficará bem (porque a verdade é que sempre fica mesmo tudo bem) e mais, acabarei contando algo do Chico, claro, o amigo Chico, aquele sobre quem fizeram um filme recentemente.

No entanto, mais do que oferecer um conselho supérfluo, vou fazer melhor, ou melhor, vou abrir meu coração (como uma sessão de terapia com um cantor sertanejo) e compartilhar algo importante e de efeito: apegue-se à parte boa em você!

Estar na merda é corriqueiro, olhe em volta e me diz "quem não está?" e com isso não pretendo espalhar energias negativas de que estamos todos numa grande privada, mas a verdade, é que todo mundo tem problemas, grandes ou pequenos, mas todo mundo tem questões a resolver... faz parte do caminho de conseguir alguma coisa.

Cada um tem a sua história e se eu ainda tiver alguma credibilidade literária, suplico, agarre-se ao que você tem de melhor e esqueça por cinco minutos dos olhos dos outros e olhe esse milagre individual de lavar louças com maestria ou a habilidade de escrever um texto inspirado às 4 da manhã com o devido respeito porque um dia, não muito mais tarde, vamos nos sentar no sofá da minha casa para um chá e você vai me contar com algum drama ou nem tanto, tudo o que aconteceu para chegar até ali, e os gigantescos rochedos de hoje serão colocados em perspectiva mais realista, simplesmente como poeira sob seus pés.
Neste dia vamos celebrar um conquista, uma grande conquista individual que responderá às perguntas feitas naquela noite sem dormir e falaremos dos planos e de todas as coisas boas a caminho, combinado?

Por ora, e só para não perder o hábito, deixo aqui, uma história do Chico com Emmanuel, seu mentor espiritual.

Em uma época em que Chico andava enfrentando processos 'judiciais difíceis com a família de Humberto de Campos, ele perguntou a Emmanuel "Emmanuel, você encontra de vez em quando com Maria Mãe de Jesus?"
e Emmanuel diz "sim, às vezes" e Chico lhe pede "Então, você sabe o que eu estou passando, diga a ela que eu preciso de um conselho"
"Tudo bem Chico, eu não lhe prometo, mas verei o que posso fazer"

Algum tempo depois, não sei precisar quanto, Chico volta ao assunto
" Falou com ela Emmanuel? Ela sabe de mim? Ela sabe do que está acontecendo comigo???"
" Sabe Chico, sabe sim" e Chico ficou todo feliz e Emmanuel lhe diz "Mas ela sabe de todo mundo! Então, não vai ficando envaidecido"
E Chico insiste "Tudo bem Emmanuel, mas você disse a ela que eu estou passando?"
"Disse Chico"
"E então, você pediu-lhe um conselho?"
"Pedi Chico, pedi sim"
"E o que foi que ela disse?"
"Ela disse: Chico, isso, também passa!".

Monday, June 21, 2010

Lately

Lately I've been wondering...

Por mais que eu diga algo sobre isso ou aquilo, no fim das contas, posso simplesmente dizer que não sei de quase nada.
Ultimamente, não vejo graça em discutir a filosofia feminina, nem a masculina e ando até comendo as palavras por falta de paciência em esperar ou por ter que enfrentar coisas não tão agradáveis. ... assim como um assassinato por dia... matando sonhos para não precisar pensar neles.

O pior que pode acontecer, é não acontecer e para alguém que sempre teve um motivo de ser, me sento num banquinho para, com a cara mais deslavada do mundo dizer: olhe só, não sei e tampouco tenho planos. não sei e sorte é dos que sabem.

Quem sabe Deus, por misericórdia opte por poupar minha irresponsável alma errante com alguma informação, um endereço, um número nas páginas amarelas. Prefiro pensar que Deus não se zanga e que essa mania de acreditar não haver chegado lá seja perdoável, mais diante dos homens, do que diante de Deus.

Será que tem jeito? Será que vai pra frente? Ultimamente, ando pensando...

Esses meninos que passam por aí, são errados, acontecem e eletrocutam as células inteligentes de seus corpos entorpecidos. ando querendo querer. Ando querendo me desfazer daquilo que não fazia.

Ultimamente, tenho sentido o gosto de querer os corpos quentes e cheios de sangue, habitantes dessas terras de ninguém que um tal americano disse ser dono.

Pode ficar se perguntando, o que é que eu quero dizer? não digo... você que diz que sabe das coisas, saberá ler esse manifesto e ai de você se me taxar de louco.

Loucura não existe. Existe saudade de casa e muita falta de vontade de entender, isso sim.
é... ultimamente, ando pensando.

Sunday, May 9, 2010

Minha Mãe


Minha mãe é louca e foi de onde herdei minha loucura. Simples assim.
Ela me ensinou...ser um pouco louca é saudável... quem está vivo é um pouco louco também.
Foi dela que herdei a mania de cozinhar sempre a mais e de ter alguma coisa no armário para o caso de uma visita inesperada.
Herdei gostar de badulaques, bugigangas, roupas novas, etc,etc,etc.
Minha mãe tem amor de sobra para as três filhas e perde o sono para remendar nossos vestidos, corrigir nossos cadernos, enfeitar nossos cabelos.
Minha mãe é coruja, e lambe a cria como se aos 20 ou trinta tivéssemos ainda dois ou três.
Minha mãe é mãe de todos os meus amigos e sempre vai deixar pronta uma cama quentinha para quem chegar às 4 da manhã da festa, horário este, em que seus olhos finalmente descansarão em paz, porque os pimpolhos estão em casa - e na manhã seguinte, ela vai jurar de pés juntos que dormiu como um anjo e nem escutou a hora em que você chegou.
Minha mãe tem faro e sexto sentido: para amigas traiçoeiras, para frias em que eu possa me meter, para futuros namorados, para quando preciso de um abraço.
Minha mãe chora comigo as minhas dores, me criou "para ser gente" e andar de cabeça erguida.
Minha mãe me ensinou tudo de bom que eu sei e mais um pouco - mas acho que o mais importante foi ela ter me ensinado aos seis anos "Filha, você nunca bate primeiro, mas se te baterem, você manda ver!" - e essa foi a melhor aula de auto-defesa que eu tive em toda a minha vida!
Minha mãe me ensinou a ser forte e a lutar pelo que eu acredito! Porque ela mesma teve que lutar muito sozinha!
Minha mãe é engraçada sem querer ser e não tem como não rir dela ou com ela e não querer ganhar um colo/cafuné num domingo chuvoso quando estamos só nós duas em casa por esse ou aquele motivo.
Minha mãe é das antigas, revelar fotos, fazer um álbum, tomar chá com as amigas, ler danielle steel e sydney sheldon, ir à missa... mas não queira impedi-la de falar com seu filhote - de um tempo para cá, virou, assim, vamos dizer...high tech e faz video-conferências no skype, tecla no msn e tem até a turma da aula de computaçao!!!
Minha mãe é heroína e inspirou aquela mãe da novela... minha mãe é exemplo, educação, amor, sabedoria, com todos os clichês, por que afinal, como é que a gente fala de mãe sem usar clichê??? Como é que a gente fala de mãe sem gratidão pelo mínimo que seja... porque veja bem, se eu ou você estamos vivos, é porque nossas mães aguentaram firme e nos deram o presente de viver - não importa o que tenha vindo depois.

E tudo isso, requer amor.

Minha mãe são todas as mães do mundo. loucas por seus filhos.

Minha mãe é um livro inteiro.

Herdamos delas as mães que seremos para nossos filhos e a escolha de deixar para alguém alguma educação.

Te amo.

Sunday, April 25, 2010

Uma Viagem ao Japão


Eu precisava sair...

Sair por um tempo sem me preocupar com nada...

Agir pelo impulso simples de ganhar o mundo e não desperdiçar um segundo, como quem sai fugido de casa.

O Japão aconteceu para mim assim... sem aviso prévio, de última hora, sem planejamento, sem reservas, sem a menor expectativa que fosse.

Hoje, mesmo depois de ter vivido um monte de coisas importantes para minha história em poucos dias por lá, não consigo me sentar em frente ao computador e relatar nada, nem sobre as lindas cerejeiras iluminadas de Matsumoto ou as gueixas de Gion.

Tudo parece ter pouca importância diante da movimentação discreta do meu mundo interior me dizendo coisas que não tenho coragem de dizer voz alta, nem em sentença afirmativa, sobre um lugar distante daqui, onde existem batalhas para lutar e recompensas para clamar.

Hoje, olho os últimos dois anos como o maior presente que eu poderia ter recebido nesta vida. Não só pelo fato de concretizar meu ideal de uma vida mais leve (olhem para mim, cheguei aos Japão for Christ sake!), longe de problemas que não deveriam nem passar pela mente, como também por ter me colocado em primeiro plano na minha vida.

Hoje, alguns medos do passado ainda passam por mim, mas não me dominam mais. Não estou completamente curada da loucura e tampouco liguei todos os pontos do jogo. No entanto, tenho hoje uma compreensão maior da vida e do mundo e sei que é necessário ficar algum tempo em outro lugar para poder ter um comparativo real e escolher.
Eu sei que para muita gente, voltar atrás soa exatamente como a intenção do verbo, no entanto, ás vezes, voltar atrás é um modo de seguir em frente e se antes eu não entendia isso, hoje, eu entendo.

Ultimamente, tenho lembrado da época em que eu tinha um sonho enorme e um plano enorme para acompanhar o sonho. Hoje,tenho sonhos e planos diferentes ele são menores, mais possíveis, independentes e muito mais bonitos que o primeiro rascunho gigantesco que se perdeu num computador pifado. Hoje, eu sei que o computador não pifou por acaso.

Hoje, a informação de que tudo tem seu tempo é um fato na minha vida... enquanto alguns ciclos terminam e se completam, outros explodem milhões de faíscas para começar e mesmo assim,enquanto tanta vida explode lá fora, dois caminhos se abrem diante de mim, duas perguntas são feitas e dessa vez, não tem uma resposta mais óbvia que a outra. As duas são mistério, escondendo alguma verdade essencial.

Não sei o que o Japão me trouxe ou me causou. Enigmático, como o sorriso de uma gueixa...

Monday, March 15, 2010


Um quarto de século... vinte e cinco anos, trezentos meses.... nove mil dias...
três bolos de chocolate, três jantares com amigos, duas aulas de surf com Matt Grainger, um livro de leitura de café, uma batedeira com bowl de inox, uma pinça com lanterna embutida, várias mensagens e garrafas de champagne depois e me pego pensando... para que mesmo toda esta comoção direcionada à minha pessoa??? ... hummm agora me lembro, estou envelhecendo.
Antes dos 25 a vida é uma promessa e depois dizem que é um peso... aos 25 estou exatamente entre a promessa e o peso.
O rosto muda, o corpo muda, mas dentre as mudanças mais marcantes, está a que a cabeça muda (e algum idiota cientificamente correto ainda acha que os números não têm poder).
Aos 25 no século 21, estou a anos luz da vida dos meus pais aos 25... back then, eles tinham um plano a seguir: filhos, família, casa própria, carro do ano, contas pra pagar, amigos para ver no fim de semana, uma viagem ocasional nas férias uma vida segura. Com o passar do tempo, a adrenalina de viajar nos feriados prolongados OBVIAMENTE se tornaria uma tortura insuportável enquanto os hotéis-fazenda do catálogo de retiros paradisíacos da terceira idade parecem uma opção milionária (e se alguém estava buscando uma explicação para a sobrevivência de cidades como Poços e Jurema, tchan tchan tchan tchan... não é só porque eles são grandes produtores de doce de leite e compota de goiaba!)
Na época deles, o que a gente chama de previsível era o grande desafio e hoje olho para todas as mulheres que foram criadas com esse referencial de felicidade que no meio do caminho foi completamente distorcido por um milhão de fatores e continua sendo vendido na televisão como um produto atual e não consigo deixar de ficar estarrecida, insandecida pensando que as mulheres merecem mais do que isso! -

E no meio dessa confusão toda, internet, relacionamentos virtuais, envelhecimento da população, idade média em que homens e mulheres se casam, o que é aceitável, o que é reprovável... tanta coisa que mudou e parece que o comércio não foi avisado. Ultimamente, por falta de necessidades materiais, compramos sonhos, imagens e idéias, QUANDO NOSSO VERDADEIRO LUGAR É AQUELE EM QUE somos amadas, amparadas, impulsionadas, aceitas com nossas fraquezas e forças, e quando nos reconhecemos. Acho novela lindo! Mas é só novela, uma impressão irreal, inspirada em mim e em você e no nosso relacionamento real... ninguém deveria ter que viver achando que falta alguma coisa, que estão vivendo mais felizes do que nós, que a sorte veio para uma minoria - isso não é verdade - porque tem tanta gente que gosta da gente! Que torce por nós - tenho certeza que todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que é especial e imprescindível, cujo afeto muitas vezes a gente dá por garantido e ás vezes esquece que está lá.

Antes, quando eu achava que não me encaixava, ou melhor, enquanto eu lutava para me encaixar, eu via tudo da perspectiva de um peixe num aquário. Ao invés de ficar a vida inteira não me encaixando, eu fui procurar a minha turma, a dos que desistiram de se encaixar e aceitaram a disfuncionalidade de seus cotidianos e que isso é super normal.
Os sonhos da casa própria e da vida estável ainda estão à venda num mundo de instabilidade constante.

Aos 25, não tenho carreira sólida, não tenho carro ou casa própria, não estou casada, não tenho filhos, não vejo meus pais todos os dias, não vejo meus pais de fim de semana, não herdei nada, não tive pais roqueiros, não nasci entre os Hilton e os Onassis, não tenho nem um cartão de crédito.

Mas e aí? Quem é que conta a nossa história?

Quem é que conta a história dos diferentes e solitários, dos marginais, dos regenerados, dos retraídos lutando pra se soltar, das meninas que só querem ter coragem de dançar, dos que não tem prática em amar, dos que amam demais,dos intocados e intocáveis - dos que existem e sobre os quais pouco se fala?
Aos 25 visitei 17 países de um mundo enorme quando a maioria das pessoas do meu país não sai da própria cidade... fiz amigos de países que eu nem sabia que existiam, aprendi a comer com as mãos e a gostar de pimenta, , refinei meu paladar, passei a comer melhor e a ter amigos que entendiam as minhas ânsias e cujas orelhas também coçavam por causa da pulga que dizia que a vida deve ser maior do que as nossas preocupações com hipoteca e casamento; aos 25 conheci pela primeira vez um homem que mudou minha perspectiva sobre o que esperar quando alguém gosta de você e que não foi embora no dia seguinte.
Aos 25 tenho consciência de que me conheço melhor que nunca e que mesmo assim ainda não me conheço o suficiente, mas ainda quero escrever muito e ser lida por muita gente, quero publicar um livro, quero rir e me emocionar, me apaixonar e ser correspondida, viajar de mochila, voltar pra New Zealand, gritar os versos de NO RECREIO no alto de uma montanha, QUERO VOAR DE BALÃO!

Aos 25, ainda tenho sonhos antigos.
Aos 25 tenho novos sonhos também.

Sunday, January 17, 2010

25


Uma vez que você revisita O PASSADO e entende no presente onde errou e a partir daí corrige os erros, fazendo aquilo que é certo de verdade, então, uma segunda chance nos é dada para fazer do futuro aquilo que deveria ter sido desde o princípio, quando ainda era passado. Não é possível voltar ao passado, mas quando você se propõe a fazer bem, um milagre acontece, capaz de mudar tudo, até aquilo que já passou.

Eu me sinto honrada de falar com vocês, porque primeiro, é uma bênção compartilhar com pessoas tão bonitas e cheias de detalhes particulares que as tornam obras magníficas da criação. Em segundo, porque quando escuto um comentário de alguém sobre algo que escrevi, mesmo que seja um ahahahah significa que esta história, que não é apenas uma história, é parte de uma vida real em palavras está fazendo seu papel de servir a outras pessoas, de alcançá-las para levar algo de bom, para carregar uma cruz junto ou simplesmente fazer rir.

Este espaço é um lugar onde as armas, as defesas ficam do lado de fora da porta. Ele foi criado para alcançar o maior número de pessoas possível e oferecer humildemente aquilo que tenho de melhor.

Não posso voltar ao passado, não posso refazer os momentos em que minhas palavras foram outras senão as de encorajamento, amor e doçura, não posso voltar atrás para os momentos em que intencional ou acidentalmente magoei alguém e não posso reFAZER os momentos em que me culpei por não ter sido apropriada, perfeita, graciosa aos olhos dos outros, esquecendo de mim.

O que eu posso fazer é pegar sua mão, tocar seu coração para viver cada dia mais feliz, mais inteiramente, e te dar força para ir atrás dos seus sonhos, daquilo que você ainda quer fazer e conquistar.
Posso contar onde errei, onde acertei e ser companheira de um momento seu porque eu sei que somos todos um e precisamos de apoio e sei também que precisamos nos apoiar.
O tempo é paciente, se não for hoje, será amanhã, mas infalivelmente, sempre na hora certa, milagres acontecem.

A vida deixa sinais de quando você está pronta/o para fazer algo que o tornará melhor quando acredita que existe este plano de coisas boas para você, afinal, tudo acontece por um motivo, ás vezes, a gente não entende ou decide não entender, mas tudo inevitavelmente, se encaixa (então peço, por favor, acredite!).

Prestes a fazer 25 anos, decidi que vai ser demais! Que vai ser um ciclo tão bom e que multiplicará coisas boas e que essas coisas boas cheguem como um presente meu, que aquilo que é abundante na minha vida seja dado de presente a vocês, que dividem a experiência de ser humano comigo e que a partir daí, aquilo que lhes sobra seja também doado para outros milagres desta terra, se assim for do seu desejo.

Quando existe o entendimento de que o que existe, existe a nosso favor, então, é possível perceber também que esta nossa existência e em si é abundante (todos nós fomos agraciados com inúmeros presentes), então, podemos ser generosos. E a generosidade é linda!


Então, novamente, te convido a sonhar, acreditar, porque todas as coisas maravilhosas que existem vieram de sonhos. Minha prece é para ser essa força que encoraja os amigos a serem o melhor que podem ser, a serem exatamente aquilo que sonham ser, porque o mundo é melhor quando somos felizes, quando recebemos aquilo que nos faz felizes.

Minha prece é poder ter mais que o suficiente para doar enrgias positivas, pensamentos positivos , materializações positivas ao maior número de pessoas possível, como se todos nós nos déssesmos as mãos para abraçarmos o mundo juntos!

Meu desejo profundo é para que se estiver no escuro, uma luz de acenda no fim do seu túnel, que se tiver um problema, consiga olhá-lo como uma questão a resolver e que não o transforme em gigante, que se lembre que o verdadeiro gigante é você, e que existe infinita força para qualquer tarefa no seu interior! Nenhuma tempestade dura para sempre, por isso desejo que se precisar lavar a sua alma, você se entregue à vida, e ofereça sua cabeça ao leão para saber que nada nem ninguém pode devorá-lo.
Desejo para todos nós descobertas pessoais que nos aproximem mais de nossa essência primordial, que nos concedam aceitação de nós mesmos, com amor e alegria e que quando se olhar, perceba que existem muitos outros fatores que te fazem belo/bela, além de aparências ou da percepção de terceiros. Uma atitude bonita não tem cara, manequim, ou sobrenome.

Desejo que você tenha uma boa conversa com a vida sobre os sinais que ela vai te mandar apontando o caminho certo, e que onde quer que vá siga por ele sem dúvidas cruéis, mas com questionamentos saudáveis. Desejo que olhem aquilo que você tem de melhor e que seja lembrado por isso e que tenha a oportunidade de mostrar o seu melhor. Desejo que lhe façam gentilezas esperadas e inesperadas e que num lugar no seu coração você receba esta minha prece como presente sincero!

Por último, rezo para que você fale sobre tudo isso para outras pessoas, que se de alguma forma essa mensagem lhe trouxe algo bom que gostaria que alguém escutasse, então, que conte sobre o que leu, compartilhe, passe adiante, com suas próprias palavras, ou mesmo com as minhas, afinal, tudo é um empréstimo, a menor folha só cai da árvore com a permissão de Deus, assim como o que escrevo só é possível pela força Dele.
Um milhão de borboletas levam as preces dos homens para o universo. Que ela voem livres e que sejamos todos abençoados pela delicadeza do seu bater de asas.

Tuesday, January 5, 2010

Obrigada!



2009...ahhhh 2009... foi de tudo e mais um pouco, deixou marcas, mordidas e arranhões............................. por tudo de melhor e pior que fez de 2009, 2009......................................................... uma retrospectiva poética sem querer ser poema.............................................foi osso, um poço, uma alegria, uma fria, um calor, cheio de amor, família, foi pilha, encontro, de pronto, surpresa, beleza, gentileza, patada, batata, de caranga quebrada, do espaço, palhaço, ator, um tanto de dor, foi crescer, aprender, uma arte, outra parte, foi mudança, que balança, despedida, de fibra, de chegada e partida, foi um frio, foi mil, de andança, que amansa, de largar e recomeçar, de verdade, de maior idade, de luz, de carregar uma cruz, de sorrir, de tarde, de marte, de choro, de ouro, de confusão, de andar de avião, de humor, de fazer um favor, de receber, de perceber, ponto final, que tal, uma aventura, saco que atura, de anjo, marmanjo?, de fogos, de blocos, de pé, de cafés, encostado, suado, de trabalho, por uns trocados, de lavar pratos, de cuidados, de se dar conta, de pedir a conta, de divórcio, de ócio, de almoço, de desespero, de novos temperos, de fotos, com focos, de se apoiar, tomar na cabeça, se equilibrar, de rir, de agir, de pictionary, de comer dairy, de ganhar aumento, de casamento, de escrever, de ler, de conhecer, um pretendente, de coisa quente, de brother, de dar chance, para um lance, de bodas, de todas, meninas, te animas?, de videoconferência, de interferência, de amigos, de inimigos, de Deus, dos seus e até por que não, de Zeus, de raios, de quase desmaio, de recuperar, voltar a andar, de discutir com o sogro, de colocar a fantasia de ogro, de ficar de saco cheio, de querer mais recheio, de doce, que se fosse, não faria pose, de consolo, de expo-lo, de vinho, de linho, de farra, qual tara, de cachorro, no alto do morro, num barco no porto, de escondidinho, rapidinho, um gosto, gostoso...e brilho no rosto!

Por tudo isso, obrigada, essa salada de ano passado aconteceu porque vocês estão na minha vida ou passaram por ela ou entraram/saíram dela: Família unida, tia Má, Tatão, família ozzy, quem se não existisse seria mesmo um desperdício do universo, porque realmente não teria 1/3 da graça estar nessa terra de canguru sem vcs!, Rafa (amiga que veio de presente do tico, delicada, tipo anne hathaway), Rafa (ator artista, vida que não cabe no corpo), Má (vc é do baralho carioca) , Má (amigo que me dá amigos), Guto (não me curte, mas me adora), Beca (maquiadora oficial, força de mulher), Sunny (my ground and guide), Edu (mi amor, hermanito, te quiero!), Keren (ray of light), Amit (let's go find me a nice jewish boy lol), Stella (diva), Patty (mãe, irmã, filha, amiga, confidente)... Nanda, exemplo de vida saudável e responsável, viva a guacamole e as nuts!, João (vc tem umas sacadas que eu fico pensando por horas e que fazem total sentido ... que medo!)e Tati, picnics, noitadas no wharf, drinks em casa, mobiliar ap, conseguir ap... ufa que cansaço...Ceci, Erika, Juuuuuuuuu (em London) Mark, Ryo, Carô, chefs, kitchen hands, colegas de trabalho gente boa, colegas de trabalho filhos da puta, uma menção especial para a filha da puta mor: chef kirsty do bennelong e sua fiel pitbull de companhia jackie ... hoje entendo vcs... tanta raiva acumulada era simplesmente falta de sexo!
Gratidão ao povo de Perth e à água do lugar: Eileen, Dani, Carlos, Christian, Hannah e Kevin (aliás, nunca mais olharei Beyonce da mesma forma) que me ajudaram a ver que tem muito lugar bacana pra se trabalhar por aí e que se tornaram amigos de verdade!

Obrigada de novo aos meus pais e à minha irmã... a gente tem realmente que se achar qdo faz parte da azeitona da empada de todas as familias existentes no universo ahahhahhaah família lindaaaaa uhuuu

Tatão, my faithful bff, best friend for life, alma gêmea, parceira de brigadeiro, madrugadas em claro, desabafos, filme de menininha, discussões filosóficas sobre a existência dramática do pêlo branco da tromba do elefante negro e todas as outras questões importantes da vida como a busca da felicidade, profissão, negócios, festas, namorados, romances, paixões, homens no geral e quem os entende, arte, encorajamento para novos projetos, viagens, Ubatuba, New Zealand, Australia, Hugh Jackman, etc, etc etc... sem palavras pra agradecer esses anos todos de parceria, tamo juntaaas, mesmo que por sessões de msn ahahhaha


Obrigada aos pilotos de avião que me levam e trazem em segurança, aos motoristas de ônibus e carro na mão inglesa, na mão normal tb, ao advento da internet, ao inventor do inseticida que faz a gente não ter mais que pisar em barata, ao meu cachorro de pelúcia buster, que serve de travesseiro na falta de um, aos alunos do meu pai, ao criador da praia e do salmo 90, às estrelas do céu, aos grandes chefs que escreveram ótimas receitas, à toda música, pois sem ela a vida seria um erro,à arte e tudo que faz bem: yoga, orgânicos, gente bonita, gente boa, bom humor, bombocado, rimel da loreal, lápis de olho, pagamento em dia, mar aberto, poesia, filmes, cientistas responsáveis, ativistas ecológicos, documentaristas com noção, pax, caixas de papelão gratis no mercado...!

Obrigada de verdade pelo que foi bom e pelo que foi ruim, obrigada pelas coisas boas que me fazem ter fé na vida e pelas coisas não tão boas que me fortaleceram e ensinaram... mas pensando bem... super mega master obrigada às coisas boas de novo... vocês são as melhores coisas da minha vida e é por vocês que eu acordo de manhã!


Obrigada do fundo deste coração pululante!

"Tudo vale á pena quando a alma não é pequena" (alguém muito sábio)

Sunday, January 3, 2010

Abrindo portas! (do céu e da terra)


Sabe quando a gente encontra alguma coisa realmente fantástica e quer contar pra todo mundo? E meu pai que dizia que assistir novela não presta para nada... mentira... ensina um monte de coisa errada, mas a trilha sonora em compensação...
Pois então, essa é minha sensação ao escutar Maria Gadú, de que ganhei o dia!

Eu aqui em Perth, sem nada para fazer no meu day off (já que estava um calor boiling hot) em casa, com vontade de enfiar a cara na banheira a cada cinco minutos, me deparo com uma indicação do youtube para ver Viver a Vida e eis que na tomada panorâmica do Rio de Janeiro escuto... "Shimbalaiê quando vejo sol beijando o mar/Shimbalaiê toda vez que ele vai repousar". Me apaixonei!

Há muito tempo não escutava algo tão bacana, honesto e bonito mesmo tempo. Já vinha há dias baixando músicas velhas por falta de algo que cativasse meu coração musical e meu cérebro descompassado e daquela cena de novela emendei uma atrás da outra...a ponto de cantarolar "pior que o melhor de dois, melhor que sofrer depois"... e por aí fui madrugada adentro para enfrentar o constante calor horrendo.

Cheguei até a comentar com um amigo gringo sobre ela... que foi direto pro youtube escutar ne me quitte pas e adorou! E me chamou muito a atenção o fato de ela sempre saber o que queria fazer da vida e ter uma mãe desencanada o suficiente para dar liberdade para filha sair trabalhando, tocando violão por aí antes dos 18.

Fora minhas descobertas musicais, andei prestando atenção ultimamente que as pessoas em geral andam mais confortáveis para falar em Deus, o Alfa, Ômega, Grande Pai, Universo, qualquer que seja o nome que se dê para Ele ou Ela.

Acredito que estamos caminhando para um entendimento entre ciência e espiritualidade, justamente porque as duas coisas evoluíram com o tempo e hoje a vida prática mostra que nem uma nem outra explica tudo. Mais importante que os interesses de uma ou de outra, o próprio ser humano passou a se colocar como a razão pela qual essas duas forças de conhecimento existem e que cada uma serve a humanidade no seu campo de ação e se mostram a cada dia mais unidos.

Nem o homem se sente um joguete do destino ou temeroso do julgamento de um Deus temperamental ou de um Jesus sofrido e ensaguentado na cruz, e tampouco se veste de tirano arrogante, soberano da matéria.
A física quântica abriu um espaço para quem não entendia as matéria puramente exatas e difundiu-se o conceito de universo (ahhhhhhh o universo, onde tudo é possível, onde abre-se o espaço para desejar e ser atendido, sem CULPA).

Bottom line is, não estou escrevendo isso para articular uma dissertação sobre ciência e religião, afinal isso é um blog pessoal e parte de ser pessoal é que eu me propus a fazê-lo da maneira mais honesta possível e próxima de mim para dar voz às coisas que nem sempre tenho oportunidade ou jeito para falar.
Parte disso vem do fato que acho que meu mundo interior é muito mais interessante do que meu mundo exterior e que o blog é minha ponte entre as duas coisas.

Assim como ciência e religião andam fazendo as pazes na última década, eu também gostaria de compartilhar essas pazes que tenho feito comigo mesma. Durante um bom tempo fui só espírito na Terra, sem saber o que fazer com meu corpo, sem saber o que fazer com todos os fatores da vida que se leva neste planeta, sem saber muito bem a serventia das conquistas materiais, e principalmente, sem me conhecer melhor. Uma vez que entendi a natureza do meu espírito e a ligação dele com as coisas da Terra pude ir atrás de conquistas individuais que antes estavam em piloto automático.

Hoje eu vejo o quanto eu estava amendrontada de mim mesma e quanta gente que deve estar assim até hoje, fazendo escolhas grandes de forma pequena, sem ter a chance de se conhecer e com medo de buscar ser quem realmente quer ser, sem saber que não existe risco se você pensar que é um investimento em si mesmo para saber o que é seu.
Sorte de quem já nasce sabendo o que quer da vida como a Maria Gadú e mais sorte ainda ela teve de não ter ninguém dizendo, olha não faz isso ou aquilo porque não dá dinheiro ou porque não quero ter um filho fazendo isso ou aquilo.

Lembro do meu marido da amiga da minha tia que tem um filho ator e outro hoteleiro e do jeito raivoso como ele debochava dos filhos "Olha Massako, olha que beleza que ficou minha família, tenho um filho cozinheiro e outro viado!" - sendo que o hoteleiro nunca chegou perto da cozinha e o suposto viado tinha acabado de casar apaixonado com uma mulher. Ele realmente não conhecia os filhos e no fim, acabou perdendo os dois para a distância que foi se tornando cada vez maior.

À parte dessa confusão toda, das influências nas escolhas dos outros, escolhas que deveriam ser individuais e livres de pressão, com direito a errar várias vezes para acertar eu ainda me espanto com um país tào diferente do meu, onde ser pedreiro dá uma baita grana, onde os cineastas saem pelo país fazendo bicos pra poder filmar, onde tem gente fazendo faculdade de florista ou escolhendo ser faxineiro porque é um ótimo faxineiro. É uma estrutura muito diferente, não apenas econômica, mas mental. E entendi que esse negócio de ter uma profissão de nome tava na minha cabeça e provavelmente na cabeça de todo mundo no meu círculo de convivência e que se eu não tivesse saído, jamais teria percebido o quanto eu estava distante de mim mesma porque junto com o lance da posição, das "responsabilidades do seu clã" vem a exclusão social.

Depois de ter estudado no colégio sobre excluídos daqui e dali, eu entendi o significado dessa palavra, percebi a exclusão gritando na minha cara, me colocando como exclusora ativa, passiva e como excluída - percebi que estava vivendo de acordo com padrões que excluem ao invés de incluir e o quanto esse orgulho e essa batalha difícil (que é simplesmente o que é, uma batalha difícil) para se fazer me fizeram subestimar a inteligência de tanta gente e minha própria inteligência. Hoje, eu vejo quanto tempo eu perdi batalhando para estar num time, para não cair para a segunda divisão, para chegar na primeira, e vejo quanta burrice vem com a soberba e quantas lágrimas, reais, dólares, energia eu teria empregado melhor para saber o que eu queria da vida e o que estava disposta a oferecer realmente.

Esse tempo me mostrou o poder da mudança, de largar tudo e que são poucas as coisas que a gente precisa, o resto é conforto ou excesso, mas que o mundo gira mesmo baseado no que a gente quer. É a nossa vontade que faz a ponte entre o mundo de idéias (os sonhos) da realidade. Se não existe vontade, não existe realização.
Aos poucos esse conceito de auto-conhecimento está entrando na minha cabeça, porque se eu não souber o que gosto ou não, nunca vou poder fazer o que gosto, que dizem por aí, é a fórmula dos bem resolvidos de verdade!


Então, nesse tempo que segue sua eternidade, parto de um ponto que dá um sorriso singelo, daqueles que não mostram os dentes (ainda), mais feliz e menos bobo, trabalhador, para continuar colecionando figurinhas por esse mundão afora (agora já sei o que fazer com elas... é pra completar um álbum meu Deus do céu!!!)

Tuesday, December 29, 2009

Respire fundo


Entendo agora o que eu vim fazer aqui do outro lado "do outro lado" do mundo, sim, é onde eu estou... em Perth... isolada da civilização, definitivamente.
Perth 'e uma "cidade grande". Para o meio de lugar nenhum é realmente grande! O centro da cidade tem três ruas principais e fica a quinze minutos da minha casa (o que nunca aconteceu antes...digo, eu morar perto do centro de alguma coisa).
Fora isso, faz um calor horrendo de noite que combina muito bem com os barulhos da porta do meu quarto no meio da madrugada, aqueles que fazem qualquer ser humano querer ficar bem acordadinho para ter certeza de que nao abriram a porta do inferno enquanto você cochilava.
De resto, as pessoas são muito legais, são tão gentis que quem vem de um lugar onde generosidade custa um favor aqui e outro ali que nem eu, fica achando que deve ter alguma coisa errada com a água do lugar.
Mas isso é normal para eles... se ajudar, receber bem as pessoas novas, amar cuidar do jardim, que é minha mais recente descoberta: a casa que eu moro tem um jardim simpático com uma parreira, três tinas com pés de limão siciliano, quatro ficus podados e um gramado semi esturricado pela estação, onde o James, meu flatmate, e os amigos dele tomam cerveja até cair a cada dois ou tres dias. Debaixo da parreira fica a mesa onde fazemos a maior parte das refeições e de onde eu tenho meus melhores momentos de ócio criativo ou nem tanto.
Acho que faz muito tempo que não sabia o que era curtir uma casa... aproveitar a luz que entra no quatro para escrever, desenhar, colocar as idéias no lugar.


Eu achava que trabalhar no Guillaume tinha feito um bom estrago nos meus pés e em outras partes do meu corpo que não voltaram pro lugar, no entanto, não tinha percebido nada até o João falar no meu picnic de despedida " nessa idústria (hospitality) é muito fácil você perder a paixão quando não está no ambiente certo, é muito rápido (e estalou os dedos) para você se perder".
E foi exatamente o que tinha acontecido comigo. Eu tinha perdido a paixão. Não tinha percebido que eu tinha perdido a fé no meu trabalho, pior, perdido a confiança em mim mesma, tanto que estava a ponto de jogar tudo para o alto e voltar a ser RP... (que vamos combinar...putz melhor morrer de catapora!). Estava tão sem confiança que um emprego de vendedora de enciclopédia era minha mais nova meta de vida.

Acabei indo para o Brasil para passar boa parte das minhas férias na cozinha da minha mãe. Estranhamente, as grandes transformações culinárias da minha vida acontecem naquela cozinha, esparramadas na pia de granito (que mal sabe ela, é ideal para arte em chocolate!) e naquela mesa de 50 mil anos e tampo de vidro que eu e minha irmã provavelmente vamos nos estapear se um dia ela virar herança.
Durante duas semanas eu me muni do amor pela minha família e principalmente pela força do grande momento da vida da minha única irmã, para dar a ela o meu presente! Para entregar, não um eletrodoméstico embrulhado, mas sim o presente de ser presente como companheira do grande acontecimento da vida dela: o casamento!
E Deus, como ótimo empreiteiro que é, magnanimamente, incansavelmente, pacientemente se encarregou de me mostrar que existe um lugar no mundo para mim que é dentro de mim mesma e pode montar acampamento em qualquer parte do mundo.
Quando meu tempo lá estava para terminar, mais uma etapa começou.
Entao, subi num aviao para encarar o patisserie lounge do Azure. E foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Encarei o trabalho como um oportunidade de voltar a andar e eu caminhei(com as minhas proprias pernas). Este foi meu presente de Natal.
Acho que isso vale para qualquer pessoa... esse tipo de lembrete sutil de que é muito fácil perder o gosto pelas coisas se a gente não está no lugar certo. Mas seja qual for o caso, nenhum dinheiro, status ou quiz de tabuleiro vale a sensação de estar em paz com o mundo e o mundo em paz com você. Quando existe paz então, é batata! É como se os quatro dias que levam para fazer marron glace passassem num instante e você está pronto pra descascar as castanhas de novo!

Quando a gente olha as coisas de fora, muito do que a gente empurrava com a barriga por não saber como sair fica fácil de resolver e ai, vem aquela vontade mor de se chutar porque " como foi que eu deixei isso tomar conta de mim? como foi que eu arrastei isso por tanto tempo??? Por causa de uma geladeira?" ... qualquer que seja o eletrodoméstico da sua preferência, ele nao vale a sensaçao impagável de chegar em casa, chutar os sapatos pro lado e fazer o que der na telha.

Olhar de fora é tão bom... é o melhor lugar para assistir a novela das oito que é a nossa vida... é quando a gente diz "meu!!!!!!!!!! como você não enxerga que ela só se casou com você por dinheiro e que quem gosta mesmo de você é filha da Odete que limpou o seus sapatos com as lágrimas de um esquilo????" - "que burro!"

E essa clareza ajuda a tomar decisões importantes no melhor estilo break through, aquelas que vc decide dar o tiro de misericórdia e terminar um namoro que já azedou ou dar uma chance para alguém que não é bem seu tipo.
A vida tem é urgência que a gente aprenda as lições a tempo de viver as novas experiências de amanhã. Ela sempre dá um jeito de fazer o novo chegar. É preciso entender que o bom de viver é estar vivo!

A minha experiência me diz que o maior presente que a gente pode dar para o mundo é a resolução de si mesmo.

Minha prece é que esse clima de resolução alcance mais pessoas. Que existam mais finais felizes e de boa ventura para o que está por vir. Que exista vontade e que aquilo que está perdido encontre seu lugar no mundo. A gente tem sorte!... só de respirar já estamos ganhando!Vambora crescer porque nenhuma confusão dura pra sempre!

Respire fundo porque esse sopro é fortuna disfarçada de oportunidade.

Wednesday, December 9, 2009


Estou ilhada num mar de roupas... preciso parar um segundo.
Não acredito que vou mudar de novo. E dessa vez, nao vou carregar mobília, nem um milhão de malas, só uma. Estranhamente, sei exatamente o que tenho que levar e mais estranhamente, não estou indo para a rua de baixo, não estou indo para nenhum lugar familiar.
Tudo é novo de novo. Há dois anos, larguei tudo para uma vida nova e agora, me vejo fazendo tudo isso outra vez.
Resolver mudar foi um ato de coragem, talvez mais coragem do que da primeira vez, porque da primeira vez, eu estava querendo salvar a minha vida e não iria negociar minha integridade física, minha sanidade. Mas dessa vez, é diferente. Não houve sofrimento, nem dor, nem desespero. Dessa vez, existem relacionamentos que foram construídos e beijos e abraços e amigos e conhecimento que precisa caminhar.
Como se a vida me olhasse de frente e dissesse "estou te dando de presente uma nova aventura. Não se trata de uma nova chance, de um recomeço, mas de uma continuidade que é parte daquilo que você escolheu se tornar".


Estou ilhada... num mar de roupas, de cores de apelos. E por mais que eu saiba e sinta que tudo está bem... uma nostalgia me bate à porta. Preguiçosa, aquela que nao quer fazer nada, ouvir nada, pensar nada... que estar ali, esparramada em sentimento, em um contentamento insatisfeito dos voláteis câmbios dos impressionáveis e impulsivos.

E quando fecha os olhos esta célula de consciência explode em euforia. Euforia do novo, do calor do desconhecido que provoca calafrios. Dos rostos, da paixão por um ofício, do novo amor distante, agora mais longe, mais perplexo e que não pode declarar-se porque tanta coisa está na frente, tanta vida para ser vivida e resta uma angústia que pede que a vida dê uma chance para que o impossível e o improvável se encontrem no alto de uma montanha para ver o nascer do sol.

Ali do alto, nós que viajamos pelo mundo, que vivemos o que muitos apenas ousaram ler a respeito, também nos entregamos, para nós existe também cansaço e conflito. Existem próximas viagens, porque nunca estamos convencidos. A vida é curta e está em todo lugar num planeta tão antigo como esse e que vivemos.

Um truque do ego ou do destino... o que seria do ser humano sem conflito?

De volta ao meu mar de roupas... me ajuda com isso, por favor?

Monday, November 2, 2009

Um bolo de lã, galhos secos, pedaços de telhado, insônia, um morto, angústia e o FDP que cantou a madrugada inteira a mesma música




Dormi muuuuuuuito mal essa noite!

Hold on... but don't hold too tight... Let go you're gonna be alright, don't run away from what you're heart is saying... toda vez que essa música toca no meu playlist eu pulo... porque a gravaçao é muito alta e parece que eu liguei um alto-falante dentro da minha cabeça. Mas hoje, quando vim aqui escrever já estava tocando e lembrei o pq de ter colocado essa música na minha playlist... para dias em que me falta ânimo.

Esta semana fiquei praticamente me arrastando pelo apartamento, da sala para a cozinha, da cozinha para o quarto, do quarto para o banheiro, do banheiro para a sacada... esperar por alguém é um pé no saco... quem foi o estúpido poeta morto que escreveu sobre esperar eternamente por uma resposta, uma pessoa, qualquer coisa???? Ele obviamente devia ter inclinações masoquistas (que gosta de sofrer)- eu por minha parte estou com inclinações sadísticas (que gosta de bater) direcionadas à poesia da espera.

E antes que me perguntem, não, não estou apaixonada... estou só levemente obcecada pelo fato de que já faz uma semana que não tenho notícias do meu empregador com detalhes do meu emprego... pronto, eu disse... saiu...

E enquanto isso, o tempo está passando e continuo na espera. Já coloquei na cabeça que se tudo, absolutamente tudo der errado, faço as malas e volto para o Brasil e pelo menos chego a tempo de comer Chocotone para o natal e dar um peteleco na cabeça do meu primo por ter brigado injustamente com a minha tia...

Meu Deus, o que custa essa gente desempatar a vida dos outros??? Não fazer nada me incomoda tanto quanto fazer coisas demais... tempo livre tem que ser vivido sem culpa e não com o peso de não estar fazendo nada produtivo.

Para completar a minha lista de desesperos, acabou o pão! E está um p*** sol lá fora que antes seria uma super razão para sair de casa e me expor aos raios UV não fosse pela prapaganda traumatizante do governo australiano mostrando um melanoma maligno destruindo a vida de uma pessoa saudável em rede nacional e finalizada com frase "there's nothing healthy about a tan!" Ou seja, minha vontade andar até o mercado é igual ao meu saldo de namorados no último ano: zero!

Talvez tanta desmotivação tenha a ver com fato de que eu dormi muito mal a noite passada, acordei só umas cinco vezes... mea culpa... antes de dormir fui ver um negócio do SONEN da igreja messiânica online (nao sou da messiânica, mas achei legal o tal do encaminhamento dos antepassados para a purificação que a minhatia Má sempre falou). Só não contava com o fato de que a simples frase : "Meichu sama, estou encaminhando o sofrimento de um antepassado que está se manifestando através de mim para que esse sentimento seja purificado e essa pessoa que não sei quem é seja salva" fosse me dar trezentos pesadelos com um parente morto anos atrás (agora pode soar engraçado, mas na hora não foi). Juro que a intenção foi boa, mas recomendo que isso seja feito durante o dia, pq antes de dormir o efeito colateral é um tanto perturbador.

Fora ficar rolando como um espeto de carne na farofa a noite inteira, quando eu finalmente consegui cochilar, um dos vizinhos coloca uma gravação de uma música horrível para repetir vaaaaaaaaaaarias vezes e cantou junto (todas as vezes em que a porcaria repetiu)!!! - Me diz, o que você faz numa situção dessas??? Estava quase indo bater na porta da minha flatmate para perguntar se ela não estava afim de jogar uma partidinha de buraco na sacada e acordo de manhã como um jornal velho... aquela aparência de que você viveu dois anos em 8 horas.

O resto do tempo de suposto descanso eu fiquei lembrando de cenas de "Hancock" com Will Smith, e no meio dos meus devaneios me senti no meio de uma bola de lã com galhos secos, pedaços de telhado e todas aquelas coisas que só a computação gráfica daria jeito... se alguém sabe interpretar sonhos, por favor, enlighten me!

Minha irmã sempre diz que comer muito também dá pesadelo, mas eu nem comi tanto assim, só um bowl de pasta com quatro nuggets de esponja, digo, de frango (fico imaginando o que a Ingahn's Frozen Chickens faz com o resto do frango porque de todos os produtos que eu comprei só lembro de um que dá pra ver as fibras do frango, os outros sempre me lembram a esponja de banho da minha casa, mas honestamente, não acho que seja suficiente para um pesadelo, deve ser por causa do Sonen mesmo ou talvez o Hancock.

Bem, chega de reclamar... acho que já reclamei bastante e lembro do meu amigo Bruno falando que ele cancelou o blog porque só ficava reclamando. Ou seja, não quero terminar o blog... gosto dele apesar dos meus seguidores serem meus melhores amigos e meu público leitor se restringir a 5 amigos de amigos hehehhe não importa... adoro escrever, não obrigo ninguém a ler, só gosto muito da idéia de por falar tanta coisa sem sequer abrir a boca... quem sabe um dia alguém comente sobre tudo isso e eu fique famosa! No entanto, não se preocupem, sei que alguém que escreve sobre frango esponjoso não é exatamente material de filme hollywoodiano... anyways, a girl can dream.

Prometo que vou me empenhar em injetar um pouco de ação nas minhas aventuras cotidianas... plantar uma árvore de dinheiro ou quem sabe esbarrar com John Mayer na rua e ele dizer "Oh! Estou perdido, me ajuda por favor!" ... a única coisa é que ando desinteressada do JM ultimamente e ele mora em New York... tudo bem, vamos ver então se consigo fazer um surfista italiano dar bola para mim na fila do Thai takeaway! De qualquer forma, vou me empenhar e queridos leitores, comentaristas, pacientes da psiquiatria, conselheiros e psicólogos, este também é um espaço para vocês!

Obrigada por lerem este post sobre nada, mas estranhamente, precisava colocar tudo isso para fora. Oh céus, já me sinto melhor! Acho que vou sair para comprar o pão!

Wednesday, October 21, 2009

SOBRE A EMPOLGAÇÃO DE VOLTAR PARA CASA!


Na última temporada de "A Odisséia de Mamori na Austrália" a mocinha da nossa história estava tomando cataflan para se recuperar de subir e descer 400 vezes os quatro andares do seu antigo prédio para mudar-se ás pressas e desesperadamente para a rua de baixo quando seu bonito e folgado flatmate HOMEM não ajudou nada em nenhum dos dois dias de mudança porque ele tinha que assistir 'vídeos animados na internet, digo, tinha que que fazer uma apresentação para a universidade, deixando Mamori para queimar 300 milhões de calorias em 48 horas junto com a outra flatmate guerreira "Formiga Atômica", que no final do dia já estava praticamente um louva-deus pois os braços em forma de abraço do caixote não mais mexiam!
Tudo isso emendado no fato de estar temporariamente desempregada, porém livre do inferno e de no auge da mudança ter que sair por quatro horas para ir a um treinamento do novo emprego!
Oh! Esquecemos de contar! Mamori conseguiu um novo emprego numa empresa consideralvelmente (acrescente quantos mentes quiser) mais razoável que a empresa passada. SIM Mamori terá um emprego quando voltar das merecidas férias no paraíso tropical do Brasil!!!! Uhuuu.

UFAAA...

O importante agora é que Mamori vai de férias ao Brasil, comer empadinha de camarão e pizza de calabresa!
E mesmo que nesses dias que antecedem a viagem ela mal consiga dormir, tamanha é a ansiedade, tudo bem, compensa pois em breve ela poderá dar abraços de urso em todos os seus familiares e amigos!

- Ok narrador, obrigada pelos seus serviços mas agora gostaria de dar umas palavrinhas com o meu público leitor.

Alô, alô, testatando? Estão me ouvindo? Ou melhor, lendo?

Ótimo! Caraca... nem acredito que estou aqui para dizer que estou contando os minutos para chegar no Brasil!
Depois de ter passado por uma super odisséia em que trabalhei, estudei, pedi demissão, arrumei outro emprego, me mudei enquanto começava no outro emprego e administrava o site de casamento da minha irmã e todos os compromissos extras com o Le Cordon Bleu, os amigos e etc, etc, etc, estou sonhando com o fato de que em breve comerei uma coxinha com catupiry dentro!
Aliás, fiz uma lista de coisas que quero comer quando chegar no Brasil, não que eu esteja indo só para comer, mas é uma boa parte do que quero fazer aí (no entando, minha odisséia gastronômica terá início apenas depois do casamento pois não quero entrar na igreja parecendo um bucho enrolado num pano verde!):
Lista para mim mesma:

- coxinha com catupiry
- empadinha de camarão;
- pastel de queijo e caldo de cana;
- pizza de calabresa e frango com catupiry;
- moqueca de camarão da minha mãe
- onigiri da bá com bife a milanesa e pastel de carne!
- churrasco do villas
- churrasco da mãe da Thatá (asinhas com queijo?)
- churrasco do meu pai (puxa... acho que gosto mesmo de churrasco)
- brigadeiro e beijinho da Thatá
- pão de mel da munik
- bem casado e todos os doces do casamento
- mandioca frita
- banana frita
- caldo de mocotó
- Sushi do Hiroshi
- qualquer coisa que a Bá cozinhar
- acarajé... no entanto não sei onde conseguirei um bom em SP - aceito dicas
- escondidinho de carne seca e mandioca
- leitão a pururuca e tutu de feijão com farofa de ovo
- feijoada com couve
- hot dog com tudo dentro
- sanduba de campinas daquele lugar que a gente come a noite
- manga, melancia, goiaba vermelha, caqui, jabuticaba e ponkan

OH Céus, sinto que vou engordar!

Preciso:

- marcar uma consulta com a nutricionista depois de comer tudo isso
- NÃO marcar consulta com a endocrinologista
- fazer drenagem linfática e talvez me internar no mesmo spa do Daniel Oliveira quando ele filmou CAZUZA.
- Todas essas consultas me fazem lembrar que talvez eu precise dar um jeito nos cascos... isso - marcar consulta com o Ivan.

Melhor começar a descer pra Manly a pé e não tomar mais o ônibus...!

A parte disso... que o tempo passe muito mega master ultra-sonicamente veloz pra eu chegar no Brasil rapidinhooo!
Meu povo e minha pova! Estou chegando! Preparem o sal de fruta!
PS. Perdão aos seguidores do blog que recebem mil atualizações dos meus posts... mas é que mesmo corrigindo várias vezes ainda faço erros gramaticais... hehehhehe
PS. Quero abraçar todo mundo! Não estou abandonando ninguém pela comida. Mesmo porque, isso é algo rude ir em festa só para comer... ahahhahhhaha

Monday, October 5, 2009

Incrível




Impressionante.



Impressionante mesmo é encontrar paz num trecho copiado de um livro saído do coração outrora tocado pelas palavras de alguém, ou simplesmente poder ver que está sol lá fora e que é uma sorte não ser soldado em guerra, escravo de alguém ou vítima de qualquer tipo de abuso que seja.



Impressionante mesmo é a maneira transcendental como o ser humano se cura do passado, das moléstias do presente, de um tombo, de um episódio desses assim, que te faz parar para pensar que o mundo inteiro deve ter desacelerado para olhar, e sentido sua vergonha ou sua dor ou sua resignação silenciosa.



Impressionante é ter coragem de sair, de começar de novo, de terminar, de perguntar, de abrir os olhos, de fechá-los; quando os inúmeros julgamentos sociais te silenciam, te ignoram ou te sufocam.



Impressionante é ainda ser capaz de se emocionar quando a loucura dos homens te arrebatou por inteiro, estraçalhou sua noção de realidade, seu senso de espaço e direção. Tudo isso por um pedaço de carne ou pelo simples fato de que seu nome ou o título que te deram sei lá por qual razão passa por cima do seu discernimento entre certo e errado, aquele discernimento interno que vem no pacote de ser humano.



E acho até engraçado as pessoas que saem por aí falando que não existe certo e errado, que são apenas escolhas diferentes (devagar aí... uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa). Todo mundo que tem filho, irmão mais novo, primo mais novo, afilhado e sei lá mais o que, ensina que é errado roubar, desrespeitar, extorquir, trair e chantagear... mas talvez, o que me preocupe mais é saber que quando eles forem experimentar o mundo por si mesmos vão encontrar uma realidade diferente daquela que foram ensinados a praticar.



Para mim, se certo e errado não existisse a gente não passaria tanto tempo tentando fazer a escolha certa e não se sentiria tão mal quando faz algo errado.



Em pleno século XXI, enquanto o homem estuda o espaço inter-atômico do DNA ainda engatinhamos para exercitar o perdão sincero, a gratidão que é um sentimento vindo da graça e a compaixão que é o ato de se colocar no lugar do outro antes de atirar uma pedra, soltar veneno pela boca ou negligenciar as necessidades de alguém. Mais que isso, é ver que bondade genuína soa para a maioria dos grupos mais descolados e/ou cocainados da cidade como uma frase de para-choque de caminhão, mais precisamente um clichê politicamente correto.



Impressionante é ver que tem gente tão absorta num problema que não vê que o verdadeiro problema está no coração e não na cabeça e muito menos nos outros. Que o pior tipo de incompetência é não saber dar e se permitir uma coisa que está aí como característica inerente: amor.
Não estou falando só do amor pelo próximo (porque disso já escreveram tantas e tantas vezes) estou falando do amor por você mesmo, pela sua naturalidade, pela grandiosidade que permite com que você seja, inexoravelmente a melhor versão de si mesmo, livre dos conceitos estereotipados das revistas, das grotescas mentiras que se conta para si mesmo ou das falácias maldosas da amiga que está sempre na moda, andando com as pessoas certas e que adora poder.



Me pego pensando que enquanto a gente tem que provar que é honesto o bastante, inteligente o bastante, qualificado o bastante, limpo o bastante, bonito o bastante, agradável o bastante, o tempo está passando e quando velhos e cansados, mortos e em espírito, tudo aquilo pelo qual derramamos sangue e lágrimas significa exatamente nada se você não usou o que te foi dado para o bem.



Por isso, por experiência própria, entendi que não se deve fazer nada por obrigação ou compromisso porque a gente não deve atar o outro às nossas escolhas, nem se atar às escolhas dos outros. É mais justo para as partes fazer porque quer, estar ali porque quer e ao escolher estar ali, estar por inteiro e não pela metade.



O cotidiano deve ser mais divertido e bonito do que realmente é porque ao invés de apenas ler sobre as grandes jornadas dos homens, é possível fazê-las, viver tudo aquilo que está nos livros, conversar com gente diferente, dormir na praia e acordar no alto de uma montanha nevada. Sair do centro para encontrar o próprio centro. O dentro profundo onde retomamos nossa condição de liberdade.



Encorajo quem passa por mim a viajar e ver o mundo com os próprios olhos, escrever seu próprio diário. Encorajo a experimentar viver numa cidade diferente, a fazer uma horta, comer aquilo que plantou, pelo menos uma vez na vida para saber como dá trabalho fazer crescer um repolho que é de onde os pais dizem que vêm os filhos. E apoio comprar de artistas desconhecidos e desapegados para incentivar o novo, e gosto de produtores responsáveis e simples que deixam as galinhas serem galinhas e apagam a luz quando fica de noite.



Tudo isso porque hoje o mundo está de um jeito e espero que amanhã esteja melhor.



Espero sinceramente que amanhã não tenham que gastar milhões para dizer para as pessoas que matar alguém não é legal, que grandes corporações têm matado legalmente um monte de gente por causa de pedaços de papel com cara de presidentes assassinados e espécies em extinção, que quando você joga lixo na rua os bueiros mal projetados das grandes cidades entopem e alagam o consultório da minha irmã e a casa da sua mãe e que muito provavelmente esse lixo ainda vai estar no mesmo lugar na sua próxima encarnação.



Espero que amanhã, meus filhos não tenham que imigrar para saber o que é correr livre num parque e voltar tranquilos para casa depois das seis sem ter que pegar um engarrafamento ou pensar em vinte maneiras de evitar um assalto. Espero que não tenhamos que tocar mais nesse tipo de assunto e que todo nosso tempo seja para discutir onde podemos melhorar e não onde continuamos errando.



Impressionante é ver gente com a qual poucos falariam oferecendo uma mão, e que quem você nunca esperou que fosse estar ali ao seu lado quando você nunca imaginou estar em determinada situação, acabou de fato dividindo seu assunto de cabeceira e compartilhando dos seus sonhos e pratos de macarrão.


Impressionante é ver irmão tirando do irmão por vaidade ou cruel ambição e ver gente que tem muito pouco ou quase nada dar tudo o que tem porque fora da caridade pouca coisa faz sentido. E tudo aquilo que agride, complexos, distúrbios, paradoxos abandonam o que são porque nem eles mesmos vêem sentido e pedem paz.

Paz para tomar decisões melhores e mais conscientes, paz para caminhar, para se apaixonar, para lavar a boca, voltar atrás, chutar o balde, entender qual face assume qual momento, paz para viver inspirado, para gritar, cantar ou calar, paz para ceder, paz para ser alguém nesse mar de 4 bilhões e mais alguns.

Impressionante é saber que ás vezes tudo o que se pode fazer é contar uma história, mostrar as fotos e os filmes, esperando que quem veja e/ou escute aprenda alguma coisa com ela e seja melhor. Não pelos outros mas por si mesmo e consequentemente para os outros, se assim desejar.



Impressionante é como a vida é imprevisível e que mesmo assim existe uma canção certa para cada ocasião. Impressionante se espantar e comover com o humano, com o coração que bate, com as mão que dão forma à humanidade,com aquilo que se pode fazer e escolher.


Impressionante, não...incrível! Como tudo aquilo que é possível amar. Incrível como nosso futuro.

Sunday, September 13, 2009

Um segundo no tempo

Por um segundo o tempo parou. Por um segundo, olho a minha volta e agradeço pelas coisas bonitas do meu dia. Agradeço pelo ônibus que chegou na hora, pelos meus pés que me sustentam e me levam onde quero chegar, pelos atos aleatórios de bondade de estranhos para comigo, pelas gentilezas e companhia dos meus amigos, pelos laços eternos e pelo apoio incondicional da minha família.
Agradeço pelas flores pelo caminho, pelos lindos olhos que vejo durante meu dia e pela luz nos meus. Agradeço uma gargalhada que há um tempo não dava e por tudo aquilo que me faz forte e paciente. Agradeço a suavidade da vida, valorizo os segundos em que mágica acontece para que eu me lembre que sou protagonista desta história e que ela merece um final feliz.
Só por hoje, neste momento de silêncio e consciência alerta percebo que saber pedir é tão importante quanto receber um pedido e que sorte mesmo é ter tempo para viver a vida ao invés de ouvir falar dela.
Neste instante de silêncio entendo que a presença do divino é calma e simples e que esta conexão está em qualquer lugar. Entendo também que agradecer faz bem ao coração e lembra que o tempo é curto demais para se gastar com qualquer outro sentimento que não seja forte, puro e constante como o amor.
Neste instante, vale à pena render tributo à vida pela sua magnitude e perfeição, vale entregar-se por completo porque quando amanhecer, o tempo já terá passado e as graças estrão prontas para acontecer.

Friday, August 14, 2009


Comecemos pelo começo...

Eu estava procurando trabalho pra completar as benditas 600 horas do meu industry placement e por um mês procurei como uma insana, apliquei para todos os tipos de trabalho, a ponto de pirar na batatinha. Estava tão estressada que liguei pra Má para perguntar onde eu poderia comprar um floral para estresse. Por uma semana dormi com dor de estômago de nervoso. E quando cheguei na farmácia, comprei não apenas um floral, como praticamente todos os produtos calmantes disponíveis nas prateleiras.

Assim que eu tomei o floral, pá! Da noite para o dia recebi quatro ofertas de emprego seguidas (e fiquei pensando... cara, esse neg'ocio funciona que é uma beleza!!!).


No meio das ofertas tinha um e-mail do meu chef da faculdade falando "Mamori, se você ainda estiver procurando trabalho, estão procurando gente no Bennelong, na Opera House, procure pelo chef Guillaume Brahimi, ele é um excelente chef e é muito conhecido na Austrália".



Três coisas: eu nunca tinha ouvido falar em um restaurante chamado Bennelong na Opera House, muito menos em Guillaume Brahimi, muito menos ainda que ele era conhecido em algum lugar e achei até que fosse um desses exageros de chefs franceses querendo puxar a sardinha para o lado deles.



Então, liguei para minha enciclopédia ambulante, o Dervish... "Dervish, você conhece um tal restaurante chamado Bennelong, tem um e-mail do chef Brioche me falando que estão procurando gente lá".



"Are you kiddiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing??? Claro que conheço, é um dos melhores restaurantes da Austrália, não fica melhor que isso!!!" Liga agora!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Está entendendo??? Agora!!!


E liguei e mal sabia que essa ligação mudaria minha vida.


O chef me pediu para ir vê=lo no mesmo dia.

Eu fui... Cheguei lá, me recebeu um português que mais tarde descobri que era o head chef, ou seja, ele é o poder! E o poder fez calar os liquidificadores para me explicar as seções da cozinha que pareciam gigantes e assustadoras.

Enfim, no dia seguinte, eu tinha um trial. Nao fazia idéia do que ia acontecer, afinal, eu tinha Perth na mão, com um chef que mais parecia a reencarnação de São Francisco que um chef de tão bondoso que era.

Trabalhei por 12 horas naquele dia e no final da noite o head chef me perguntou se eu tinha gostado e queria voltar. Eu falei "Claro!" Afinal, quando te oferecem um emprego no tal do Bennelong, você não pensa duas vezes, simplesmente vai e aceita.

Eu aceitei esse trabalho e com dor no coração, comuniquei o chef de Perth da minha decisão que como todo bom santo me deixou as portas abertas.

Na mesma semana trabalhei sexta e sábado e na semana seguinte, mais cinco dias seguidos, mais de 12 horas por dia a ponto de não sentir mais os pés. Minhas mão ficaram calejadas, queimadas, com bolhas, e meu corpo inteiro doeu.

Como sou a garota nova, a australiana que me da os comandos rosnou e latiu para mim porque não sei fazer ainda tudo com perfeição de um restaurante 3 hats. Uso minha casa praticamente so para dormir e tem horas que me dá medo só de pensar em voltar ao trabalho.

Minha família está orgulhosa, assim como todos os meus amigos... mas a verdade é que só eu sei o que meu corpo e mente passam nessas horas de trabalho pesado, mais pesado que o de um pedreiro. E que no fim das contas o restaurante ter três hats ou nenhum hat não muda o que eu sinto.

Aprendi a passar praticamente o dia todo sem conversar com ninguém. A ficar calada e só obedecer, dizer sim e pronto, mesmo que não seja minha culpa, engulo e falo yes chef, yes, sir, yes mamn.

Este está sendo como um processo dos alcólicos anonimos, um dia de cada vez. Antes eu amava ver a Opera House... hoje me dá tremedeira.

Trabalho sem reclamar. Estou admirada com o que meu corpo consegue aguentar. Eu agradeço ter trabalho, porque sei que a graça divina deve ter um plano maior do que a minha compreensão no momento.

Não consigo contar isso de uma forma engraçada. Só posso defender os trabalhadores de cozinha que pegam no pesado como a gente. Sei que existem lugares em que mesmo que seja duro, as pessoas cantam e dão risada e relevam os erros. Lá, onde estou, perdoam meus erros, mas nunca relevam.


As pessoas não têm idéia do que se passa na cozinha de um restaurante e não estou falando de uma cozinha qualquer, estou falando de uma cozinha onde existe dinheiro e infra-estrutura: as pessoas não sabem que quando alguém reclama, somos humilhados, xingados e agredidos. Trabalhamos mais de doze horas por dia, com salários baixos e sem intervalos para ir ao banheiro, comer numa velocidade razoável ou respirar ar puro. Isso é lei comum na maioria dos restaurantes que existem por aí, inclusive no Brasil. E todo mundo diz que o sistema é assim e que a gente precisa se adequar a ele.

Eu emagreci. Acabei com meus band-aids. Não sinto raiva, cada minuto é precioso demais para gastar com raiva.



Nunca mais vou olhar um restaurante da mesma forma, não reclamo mais de atraso, de espera de marca de dedo no prato.


Não trato ninguém mal, não desconto nos outros, não respondo e continuo gentil. Como disse Chico Xavier, "o ódio que julga ser a antítese do amor, nada mais é do que o amor que adoeceu gravemente" e os doentes, necessitam de cuidado.


Preciso espalhar no mundo a idéia de que precisamos ter compaixão na 'prática, muitas vezes, aquilo que é da maneira que é, não necessariamente está certo e a gente tem que ser a mudança que quer no mundo.


Essa é minha experiência e minha percepção. Não se trata de dó ou piedade.
Ainda estou me acostumando com tudo isso, com essa realidade que me arrebatou por inteiro.
Quando chegar minha hora de decidir, quero fazer do ponto de vista de alguém que faz isso com consciência.


Achei que esse tipo de absurdo cotidiano fosse simplesmente um drama de filme, mas talvez o filme tenha inspirado a realidade e francamente, não tenho muitas palavras para expressar o que eu presencio por lá.


Rezo o salmo 90 todos os dias para ter forças e persistir. Se estiveres em apuro, agarra-te à tua fé.


Você que habita ao amparo do Altíssimo,e vive à sombra do Onipotente,
diga a Jave: "Meu refúgio, minha fortaleza,meu Deus, confio em ti!"
É livrará você do laço do caçador,e da peste destruidora.
Ele o cobrirá com suas penas,e debaixo de suas asas você se refugiará.O braço dele é escudo e armadura.
Você não temerá o teror da noite,nem a flecha que voa de dia,
nem a epidemia que caminha nas trevas,nem a peste que devasta ao meio-dia.
Caiam mil ao seu ladoe dez mil à tua direita,a você nada atingirá.
Basta que olhes com seus próprios olhos,,para ver o salário dos injustos,
`porque você fez de javé o seu refúgio e tomou o Altíssimo como defensor..
A desgraça jamais o atingirá e praga nenhuma vai chegar à sua tenda:
pois ele ordenou aos seus anjosque guardem você em seus caminhos.
Eles o levarão nas mãos,para seu pé não tropece numa pedra.
Você caminhará sobre cobras e víboras,e pisará leões e dragões.
Eu o livrarei, porque a mim se apegou.Eu o protegerei, pois conhece o meu nome.Ele me invocará, e eu responderei.
Na angústia estarei com ele.Eu o livrarei e glorificarei.
Vou saciá-lo de longos diase lhe farei ver a minha salvação".

Saturday, July 18, 2009

Quando o mundo pára


Eu percebi quando o tempo mudou... de repente, não mais que de repente, como uma piada sem graça, senti a vibraçao mudar e aí, foi uma atrás da outra. Esse post tem sido um processo para mim, um processo de voltar a me movimentar. Foi escrito e reescrito, pedacinho por pedacinho até que eu pudesse publicar.

Foi muito simples de ver que eu não estava na crista da onda. Mas por incrível que pareça, fiquei consciente o tempo todo. Só me desesperei quando percebi que à minha frente havia névoa. Névoa é pior que o escuro, ao escuro pelo menos, os olhos se acostumam. Mas no nevoeiro não há por onde. Perde-se a noção espacial, temporal, sufoca-se.



Foi assim que me senti nessa última semana, aquilo que vingaria não vingou, aquilo que venderia não vendeu, aquilo que sentiria, não senti. Restou apenas, o vazio.



Em ocasiões passadas já me senti assim, talvez de uma maneira muito pior, sem perspectiva ou meta. Dessa vez ficou um vazio, que logo virou saudade. Saudade do que poderia ser, do que poderia ter sido, saudade daquilo que é concreto, plausível e palpável naquele lugar onde conhecemos por lar mesmo que lá nesse lugar exista uma imagem de você que não mudou para quem ficou, mas que entre as coisas imutáveis existe o amor que chega ao ponto de pedir a todos os santos do céu que olhem, não por eles mesmos, mas por você.

E a consequência do vazio foi saber que alguém que já estudou tanto sobre pensamento positivo fé e amor tem condições suficientes para saber que é preciso deixar o vazio e os amigos do vazio te devorarem para encontrar paz. De dentro da minha angústia, deixei o vazio fazer seu serviço.


No meio do nada, administrando julgamentos, auto-piedade, medo, ignorância, disse a mim mesma, é preciso ter fé e me agarrei a isso. Eu me lembro bem de uma conversa com o Dervish em que eu estava no começo da grande busca do nosso IP e algo não tinha saído bem. Lembro da frustração e de ter sido derrubada nas pernas pelas palavras HAPPY BIRTHDAY! Nesse dia não quis chorar, não tive raiva, nem medo, nem culpa, nem vergonha (e olha que eu sinto muita vergonha). Eu me coloquei exatamente no meu lugar: aprendiz!



"Tudo vai ficar bem! Algo melhor está a caminho!!!"



"Tenho mesmo que ter fé!"


Quando a gente tem fé, coisas boas vem para o nosso caminho e nos tomam nos braços. E acredito nisso, acredito que essa é a nossa razão de ser, aprender a abrir mão de certas coisas, entender que como seres humanos, não podemos controlar tudo. Entreguei a Deus meu desespero, meu medo.


Agradeci mais uma vez a sorte de estar onde estou, de fazer o que faço de ter a certeza de ter a noção exata de que estou onde deveria estar, fazendo o que deveria fazer mesmo pensando constantemente nas palavras "eu quero a minha mãe!".



Morar longe de "casa" faz isso com a gente. Faz a gente ter saudade do que poderia ter sido, mesmo que se tivesse não seria tão bonito como nas nossas ilusões.

Olhei fotos antigas, fui saber dos meus amigos, alguns viraram celebridades, outros tiveram filhos, alguns encontraram alguém para casar, saíram do armário, descubriram que alguém tão de perto não era quem pensavam ser, alguns continuaram doentes, outros conseguiram exatamente aquilo que queriam. Olhar para fora ao invés de olhar só para dentro mexe com a gente.



Então, eu me recolhi por uns dias, em humilde reconciliação reflexiva. Orei, tomei banho de sal grosso, jantei um livro de auto-ajuda, andei, corri, dormi, perdi o sono, pintei o cabelo, sobrevivi ao ócio, e ás idéias preconcebidas de paz e felicidade.

Aos poucos, a fase de "Oh my God, what now" foi perdendo a força e dando lugar a "Yes! I can do it!" e posso citar a mim mesma "Just have faith and good things will come your way".


Para usar meu tempo produzindo algo bom e construtivo voltei a desenhar. Redescobri meu amor por designs. Alguns dias, pelo meu trabalho, passei madrugadas em claro, só pelo prazer de ver uma tela terminada.


A imagem que ilustra o post é um dos meus designs. E não estava triste quando o fiz, pelo contrário, estava emocionada. Comovida por ainda estar em mim a mesma paixão de anos atrás.

Se faz sentir, faz sentido. Maior que este corpo ou que as idéias dos homens














Thursday, July 9, 2009

Matrimônio, matrimônio...isso é lá com Sto. Antônio!



Mesmo aqui do outro lado do mundo, a gente não poderia deixar de comemorar essa tão importante tradição brasileira. Afinal, brasileiro que é brasileiro comemora festa junina com tudo que tem direito, afinal, é só uma vez no ano!

Depois de quase um mês planejando, a nossa festa junina saiu!!! E como toda festa sempre tem uma polêmica, a nossa não poderia ser diferente!


A começar pelo milho... O milho foi o vegetal polêmico da ocasião a começar pela decisão dele ser ou não parte da festa, dadas as nossas limitações orçamentárias "o que é que vai ter de salgado?" - respondo: "pão de queijo, pipoca, cachorro quente e batatinha" escuto: "MAS O QUE ACONTECEU COM O MILHO????????????????????" respondo: "não aconteceu nada, justamente, nós cortamos o milho porque está fora de época, três espigas por $3 e viraremos todos galinhas da Angola pois não apenas nossa dieta será constituída unicamente de grãos como logo em seguida morreremos de fome como os habitantes da nossa nação irmã africana. (respiro) sem contar com o o fato que despertaremos a ira de 65% dos convidados, porcentagem correspondente aos participantes do sexo masculino que esperam comer salsicha no pão (e naquela hora estave me referindo unicamente ao contexto gastronômico da figura)" e depois da minha detalhada explicação escuto: " não cara!!! tem que ter milho!!!" e blábláblá, converse com a minha mão.




"Ok, ok, ok, vamos então no Paddy's Market comprar o milho, lá deve ser mais barato...


(reticências... geralmente significa... Oh dear...)"


E lá fomos nós no (old) red car da Carioca, comprar milho barato para alimentar dois times de futebol em campo e seus reservas.


Andamos pelas barracas do mercado e superado o choque inicial ao descobrir que os donos das barracas de vegetais eram todos chineses e gritavam as ofertas no caso, em chinês... encontramos uma única barraca em que havia milho e para nosso espanto, o feirante era australiano!
Três milhos por 2,5... mais barato mas eu precisava pechinchar... orçamento é orçamento... e ele nos deu 29 milhos e uma espiga de brinde por 20 dólares! Ótimo, fechamos negócio (melhor pular a parte em que a Ra fez as contas erradas e quase brigou com o dono da barraca por vender milho mais caro para a gente e pagamos o mico de ver o cara falar "presta atenção moça, claro que não! Eu estou fazendo 30 milhos por 20 e não vinte milhos por trinta" ...

Caixa de milho na mão, "vambora daqui!".

"Desvia, desvia, aiii tá pesado... Ra... C-O-R-R-E QUE O FAROL ABRIU!!!"


Milhos salvos!


Em casa, duas mulheres solteiras descabelaram trinta espigas de milho... acredite, não existe prazer nisso e resta apenas o cansaço final. Dois bolos de fubá foram assados, um com goiabada e outro com erva-doce, uma panela enorme de canjica também foi preparada e eu literalmente me senti como as merendeiras da escolas municipais do estado de São Paulo quando a fila do bandeijão se instalou e eu comecei a gritar para botar ordem no galinheiro, digo, na cozinha.


O vinho quente ferveu, a cachaça esquentou, o pão de queijo assou, a pipoca estourou, a salsicha ferveu e alguém, fez a caridade de trazer paçoca! As bandeirinhas e o bolo de cenoura chegaram ás 6 um pouco antes do padre.


Todos os cavalheiros a caráter, australianos, alemães, venezulanos, brasileiros, indianos e afins todos de monocelha, bigodinho e cavanhaque, chapéu de palha, camisa xadrez e retalho na calça.


E as damas de vestido colorido, trancinha ou maria chiquinha, pintinhas e coração no bumbum.

Tudo correndo bem até que chegou a hora do CASAMEMTO NA ROÇA e finalmente, Santo Antônio ouviu minhas preces e me deu um matrimônio!


POIS É POVO, EU CASEI! Casei em inglês com o o Gabriel, partidão, todos os dentes na boca, residente australiano, um caipira bem caipira! Nosso casamento foi a comédia do ano, meu bouquet de bandeirinha caiu no chão e não sei se vocês fizeram a conexão mas bouquet parece muito com outra palavra quando pronunciada ao pé da letra em "caipirês" e enfim... sem comentários...


Nossos votos foram uma dose de cachaça BOAZINHA e a única coisa que lembro foi o noivo falando "Anda logo padre, HONEYMOON, HONEYMOON padre!"


E como se não bastasse 25 pessoas de todas as partes do mundo numa sala de apartamento falando ao mesmo tempo e comemorando um casamento de festa junina com a empolgação de um canguru boxeador, nós não poderíamos deixar de dançar quadrilha! Claaaaaaaaaaaro por que não fazer mais essa???
Emendada no casório começou a quadrilha... que durou exatos 45 segundos porque foi exatamente o momento em que nosso vizinho de baixo invadiu o arraiá (polêmica 25675) fazendo o maior escândalo pra gente parar de pular no chão... (oh crap) E LITERALMENTE APAGOU A NOSSA FOGUEIRA... (rapidinho, em nossa defesa, eram sete horas da noite e nós nunca fizemos barulho, de verdade, foi a primeira vez sendo que o bebê deles chora TODOS OS DIAS de madrugada e nós nunca reclamamos. Ou seja ele agiu como um animal irracional americano, then again, talvez ele seja um).


Aí os amigos australianos que são bem australianos resolveram ficar esquentados com o vizinho e dizer, "Olha Man, this is a wedding!" e aí a namorada brasileira tentou segurar o namorado australiano e cara... aí sim a festa virou uma novela... desmanchamos a quadrilha rapidinho rapidinho, não lembro como foi que meu quarto virou um pronto-socorro emocional, mas estranhamente, pessoas com lágrimas nos olhos adoooooooram o carpete do meu quarto (polêmica 34528) ahhahahah e entre mortos e feridos o importante foi que eu casei !!! ahahhahaha (só rindo mesmo)


Encontrei com o Dervish e o Stingy depois da festa ... eles tinham ido embora mais cedo e contei o qu aconteceu... "Mamori, se você quase explodiu seu apartamento quando casou de mentira, o que é que vai acontecer quando você casar de verdade?" ... "Não sei Dervish, mas acho melhor avisar o vizinho antes, né?" ... "Talvez seja melhor avisar o Corpo de Paz e os bombeiros também!" ... "Ok, vou pensar nisso"

Só fiquei triste pq não deu nem tempo de fazer a dança da laranja e o ovo na colher.

PS. Depois do casório fizemos controle de danos e mandamos uma caixinha de bombons para o vizinho pedindo desculpa. Não interessa quem estava com a razão ou não, interessa que a gente precisava ficar de boa com eles e pronto e quando fomos conversar com eles, a esposa claro (porque quando os maridos fazem merda sempre sobra para as esposas) veio toda envergonhada se desculpar pelo comportarmento do trogloditam digo do marido dela (que tinha tido um bad day) e falar que quem tinha que a gente não precisava apologize porque a gente nunca faz barulho e eles sabem que o babê deles grita toda madrugada e blá blá blá. Ou seja, ficamos de bem. Ou seja, moral da história crianças quando vocês tiverem um dia ruim no trabalho não descontem na felicidade do vizinho porque eles não tem culpa. Em defesa das festas de apartamento me despeço deste post. Ufa casar dá mesmo trabalho!!!

Mesmo assim , obrigada Santo Antonio, já te tiro do balde e devolvo o menino Jesus.

Thursday, June 25, 2009

Lixo de banheiro é um desabafo



Preciso desabafar... não adianta... estou tensa... duas palavras para vocês: MY PRECIOUS!


Se você assistiu ao Senhor dos Anéis sabe de quem eu estou falando, na verdade, postar isso é como ser protagonista de Risco Duplo e rezar para não me pegarem... pois então, imagine o Smeagol em versão feminina te enchendo a paciência a ponto de fazer do seu quarto uma jaula... tudo para não ter que escutar a mania incessante de reclamar de tudo... pois é... MY PRECIOUS ressucitou... para fazer da minha rotina, digo, a do Frodo uma batalha!


Meu pai sempre me ensinou que crítica por si só nunca é construtiva porque não oferece solução... lembra daquele processo diga uma coisa boa, depois vomite o ruim e termine com a sobremesa: algo doce e agradável... se a gente só vomita o ruim, dificilmente as pessoas vão querer voltar ao restaurante... e isso é com tudo na vida.

Aprendi quebrando a cara que gente que reclama muito passa a vida inteira reclamando e ninguém gosta de gente assim. Reclamar é doença.

Ou seja, quem reclama de tudo e critica os outros afasta as pessoas, porque chega um ponto que por mais que se goste do reclamante, a situação fica insustentável e para não ouvir mais a respeito e preservar a convivência, o silêncio é a saída.

Nesse trajeto rumo à solidão são sacrificados os melhores momentos que se pode ter com alguém, sacrifica-se a amizade, a camaradagem, a compreensão com o outro e mesmo a capacidade de enxergar e valorizar coisas boas que são feitas todos os dias.

As pessoas vão se fechando por não saber como lidar.

Minha mãe sempre disse que solidão é triste e que gente sozinha tem mania de se apegar às coisas, de ficar metódico e severo com parâmetros, ou seja, fica um chato.

Pior que isso é só saber falar de si mesmo e querer que os outros falem de você, egocentrismo, está ligado? Não importa se a conversa é sobre o jardim da Flor, a pessoa, no caso, falará do SEU vaso de orégano.

My Precious ganhou esse apelido dos meus amigos, sem que eu tivesse dito uma só palavra e o negócio pegou de tal forma que não falam mais o nome da dita cuja... é My precious pra lá, My Precious pra cá e enquanto eu estava sofrendo em silêncio, todo mundo já tinha percebido...

Eu não estou sabendo muito bem o que fazer, segundo minha irmã "faça cara de palmeira... você sabe como é, não sabe?". Pois então... estou correndo o risco de criar raízes na sala e derrubar um coco, pois essa é a única cara que estou usando ultimamente... abanando minha folhagem.

Conviver com alguém de perto é isso... você acaba descobrindo que sem maquiagem todo mundo tem defeito, o bizarro é que dá para entender exatamente o que faz as pessoas correrem dela... eu mesma correria. Não pelos defeitos em si, mas por não permitir que o outro também tenha os seus próprios defeitos e seu tempo para lidar com eles. Acho que isso é o que assusta mais.

No começo, achava que fossem hormônios, vulnerabilidade, qualquer fator assim e ficava que nem uma tonta agradando para não desagradar. Mas depois passou a ser simplesmente um chute no peito essa coisa de ser imprevisível e querer controlar os outros, você sofre e fica quieto sem saber de onde veio. Quando a gente fica tolhindo a liberdade do outro, a vida vira uma obsessão e o menor gesto como acender ou apagar uma luz provoca terror. Ou seja, estava mesmo aterrorizada... não acendia a luz porque gastava luz, se apagava a luz também estava ruim porque ia queimar a lâmpada. Me explica???
Depois tem o lance do lixo de banheiro... não temos lixeira no banheiro porque My Precious doesn't like it, tínhamos um saquinho transparente... agora me fala se o seu lixo de banheiro ficasse ali para excrutínio público, como você se sentiria quando expostos estivessem seus cotonetes usados, seu fio dental, as unhas cortadas, etc, etc, etc...

No fim, precisei desabafar e me dar ao luxo de comunicar minha decisão de apertar aquela popular tecla do sistema quando seu cérebro foi violentado na horizontal, na vertical e na diagonal tentando achar uma solução diplomática, não restando saída, lanço mão do FODA-SE... Porque: não é da minha conta redimir os outros, não exijo que andem com as mãos ao invés dos pés, aprendi a pedir e a fazer por mim mesma se me incomoda. Não dou no saco de ninguém de graça, MAS SE VÃO POUPAR A VIDA DO BANDIDO, NÃO MEXA COM OS MEUS DIREITOS HUMANOS... Cada um sabe onde dói o calo. Hoje tenho uma noção exata que é exatamente pelo amor que a gente quer trazer para as nossas vidas que temos que nos melhorar, fingir de santa não adianta, vão te pegar no pulo principalmente se a sua trilha sonora for "por fora bela viola, por dentro pão bolorento"!!! Sou macaca velha nesse negócio de viver na Terra e aprendi que: se está na Terra é porque tem defeito! Então não me venha apontando o dedo porque olha só... meus dentes são pequenos, mas eu sei morder!

Cada um corre sua maratona no seu ritmo por isso chatos de saco, estudem a história do liberalismo "laissez faire, laissez aller, laissez passer, le monde va de lui même" - "deixa fazer, deixa ir, deixa passar que o mundo vai por si mesmo" e por favor, deixem a lixeira no banheiro, eu comprei para isso.