Monday, March 15, 2010


Um quarto de século... vinte e cinco anos, trezentos meses.... nove mil dias...
três bolos de chocolate, três jantares com amigos, duas aulas de surf com Matt Grainger, um livro de leitura de café, uma batedeira com bowl de inox, uma pinça com lanterna embutida, várias mensagens e garrafas de champagne depois e me pego pensando... para que mesmo toda esta comoção direcionada à minha pessoa??? ... hummm agora me lembro, estou envelhecendo.
Antes dos 25 a vida é uma promessa e depois dizem que é um peso... aos 25 estou exatamente entre a promessa e o peso.
O rosto muda, o corpo muda, mas dentre as mudanças mais marcantes, está a que a cabeça muda (e algum idiota cientificamente correto ainda acha que os números não têm poder).
Aos 25 no século 21, estou a anos luz da vida dos meus pais aos 25... back then, eles tinham um plano a seguir: filhos, família, casa própria, carro do ano, contas pra pagar, amigos para ver no fim de semana, uma viagem ocasional nas férias uma vida segura. Com o passar do tempo, a adrenalina de viajar nos feriados prolongados OBVIAMENTE se tornaria uma tortura insuportável enquanto os hotéis-fazenda do catálogo de retiros paradisíacos da terceira idade parecem uma opção milionária (e se alguém estava buscando uma explicação para a sobrevivência de cidades como Poços e Jurema, tchan tchan tchan tchan... não é só porque eles são grandes produtores de doce de leite e compota de goiaba!)
Na época deles, o que a gente chama de previsível era o grande desafio e hoje olho para todas as mulheres que foram criadas com esse referencial de felicidade que no meio do caminho foi completamente distorcido por um milhão de fatores e continua sendo vendido na televisão como um produto atual e não consigo deixar de ficar estarrecida, insandecida pensando que as mulheres merecem mais do que isso! -

E no meio dessa confusão toda, internet, relacionamentos virtuais, envelhecimento da população, idade média em que homens e mulheres se casam, o que é aceitável, o que é reprovável... tanta coisa que mudou e parece que o comércio não foi avisado. Ultimamente, por falta de necessidades materiais, compramos sonhos, imagens e idéias, QUANDO NOSSO VERDADEIRO LUGAR É AQUELE EM QUE somos amadas, amparadas, impulsionadas, aceitas com nossas fraquezas e forças, e quando nos reconhecemos. Acho novela lindo! Mas é só novela, uma impressão irreal, inspirada em mim e em você e no nosso relacionamento real... ninguém deveria ter que viver achando que falta alguma coisa, que estão vivendo mais felizes do que nós, que a sorte veio para uma minoria - isso não é verdade - porque tem tanta gente que gosta da gente! Que torce por nós - tenho certeza que todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que é especial e imprescindível, cujo afeto muitas vezes a gente dá por garantido e ás vezes esquece que está lá.

Antes, quando eu achava que não me encaixava, ou melhor, enquanto eu lutava para me encaixar, eu via tudo da perspectiva de um peixe num aquário. Ao invés de ficar a vida inteira não me encaixando, eu fui procurar a minha turma, a dos que desistiram de se encaixar e aceitaram a disfuncionalidade de seus cotidianos e que isso é super normal.
Os sonhos da casa própria e da vida estável ainda estão à venda num mundo de instabilidade constante.

Aos 25, não tenho carreira sólida, não tenho carro ou casa própria, não estou casada, não tenho filhos, não vejo meus pais todos os dias, não vejo meus pais de fim de semana, não herdei nada, não tive pais roqueiros, não nasci entre os Hilton e os Onassis, não tenho nem um cartão de crédito.

Mas e aí? Quem é que conta a nossa história?

Quem é que conta a história dos diferentes e solitários, dos marginais, dos regenerados, dos retraídos lutando pra se soltar, das meninas que só querem ter coragem de dançar, dos que não tem prática em amar, dos que amam demais,dos intocados e intocáveis - dos que existem e sobre os quais pouco se fala?
Aos 25 visitei 17 países de um mundo enorme quando a maioria das pessoas do meu país não sai da própria cidade... fiz amigos de países que eu nem sabia que existiam, aprendi a comer com as mãos e a gostar de pimenta, , refinei meu paladar, passei a comer melhor e a ter amigos que entendiam as minhas ânsias e cujas orelhas também coçavam por causa da pulga que dizia que a vida deve ser maior do que as nossas preocupações com hipoteca e casamento; aos 25 conheci pela primeira vez um homem que mudou minha perspectiva sobre o que esperar quando alguém gosta de você e que não foi embora no dia seguinte.
Aos 25 tenho consciência de que me conheço melhor que nunca e que mesmo assim ainda não me conheço o suficiente, mas ainda quero escrever muito e ser lida por muita gente, quero publicar um livro, quero rir e me emocionar, me apaixonar e ser correspondida, viajar de mochila, voltar pra New Zealand, gritar os versos de NO RECREIO no alto de uma montanha, QUERO VOAR DE BALÃO!

Aos 25, ainda tenho sonhos antigos.
Aos 25 tenho novos sonhos também.

4 comments:

marcosontheroad said...

ooo... esse blog esta cada vez melhor!

MaMoriMata said...

ahahahah super obrigada meu amigo!!!
Fico feliz que vc leia o que eu escrevo mesmo de tão longe!!! Adoro-te!

Thaís said...

Amor do meu amor, estou esperando para saber das novidades... sei que minha opinião é +ou- como opinião de mãe, mas é mto verdadeira: Simplesmente Lovely o seu texto!!

Parabens pelos 25 anos de sonhos bem sonhados...

Marina said...

Ohhh...Menos dois sonhos: voltar pra NZ e voar de balão!!! E vamo, q vamo... Pq o mundo é muito grande e ainda falta conhecer muitos lugares!!! Rs