Sunday, January 3, 2010

Abrindo portas! (do céu e da terra)


Sabe quando a gente encontra alguma coisa realmente fantástica e quer contar pra todo mundo? E meu pai que dizia que assistir novela não presta para nada... mentira... ensina um monte de coisa errada, mas a trilha sonora em compensação...
Pois então, essa é minha sensação ao escutar Maria Gadú, de que ganhei o dia!

Eu aqui em Perth, sem nada para fazer no meu day off (já que estava um calor boiling hot) em casa, com vontade de enfiar a cara na banheira a cada cinco minutos, me deparo com uma indicação do youtube para ver Viver a Vida e eis que na tomada panorâmica do Rio de Janeiro escuto... "Shimbalaiê quando vejo sol beijando o mar/Shimbalaiê toda vez que ele vai repousar". Me apaixonei!

Há muito tempo não escutava algo tão bacana, honesto e bonito mesmo tempo. Já vinha há dias baixando músicas velhas por falta de algo que cativasse meu coração musical e meu cérebro descompassado e daquela cena de novela emendei uma atrás da outra...a ponto de cantarolar "pior que o melhor de dois, melhor que sofrer depois"... e por aí fui madrugada adentro para enfrentar o constante calor horrendo.

Cheguei até a comentar com um amigo gringo sobre ela... que foi direto pro youtube escutar ne me quitte pas e adorou! E me chamou muito a atenção o fato de ela sempre saber o que queria fazer da vida e ter uma mãe desencanada o suficiente para dar liberdade para filha sair trabalhando, tocando violão por aí antes dos 18.

Fora minhas descobertas musicais, andei prestando atenção ultimamente que as pessoas em geral andam mais confortáveis para falar em Deus, o Alfa, Ômega, Grande Pai, Universo, qualquer que seja o nome que se dê para Ele ou Ela.

Acredito que estamos caminhando para um entendimento entre ciência e espiritualidade, justamente porque as duas coisas evoluíram com o tempo e hoje a vida prática mostra que nem uma nem outra explica tudo. Mais importante que os interesses de uma ou de outra, o próprio ser humano passou a se colocar como a razão pela qual essas duas forças de conhecimento existem e que cada uma serve a humanidade no seu campo de ação e se mostram a cada dia mais unidos.

Nem o homem se sente um joguete do destino ou temeroso do julgamento de um Deus temperamental ou de um Jesus sofrido e ensaguentado na cruz, e tampouco se veste de tirano arrogante, soberano da matéria.
A física quântica abriu um espaço para quem não entendia as matéria puramente exatas e difundiu-se o conceito de universo (ahhhhhhh o universo, onde tudo é possível, onde abre-se o espaço para desejar e ser atendido, sem CULPA).

Bottom line is, não estou escrevendo isso para articular uma dissertação sobre ciência e religião, afinal isso é um blog pessoal e parte de ser pessoal é que eu me propus a fazê-lo da maneira mais honesta possível e próxima de mim para dar voz às coisas que nem sempre tenho oportunidade ou jeito para falar.
Parte disso vem do fato que acho que meu mundo interior é muito mais interessante do que meu mundo exterior e que o blog é minha ponte entre as duas coisas.

Assim como ciência e religião andam fazendo as pazes na última década, eu também gostaria de compartilhar essas pazes que tenho feito comigo mesma. Durante um bom tempo fui só espírito na Terra, sem saber o que fazer com meu corpo, sem saber o que fazer com todos os fatores da vida que se leva neste planeta, sem saber muito bem a serventia das conquistas materiais, e principalmente, sem me conhecer melhor. Uma vez que entendi a natureza do meu espírito e a ligação dele com as coisas da Terra pude ir atrás de conquistas individuais que antes estavam em piloto automático.

Hoje eu vejo o quanto eu estava amendrontada de mim mesma e quanta gente que deve estar assim até hoje, fazendo escolhas grandes de forma pequena, sem ter a chance de se conhecer e com medo de buscar ser quem realmente quer ser, sem saber que não existe risco se você pensar que é um investimento em si mesmo para saber o que é seu.
Sorte de quem já nasce sabendo o que quer da vida como a Maria Gadú e mais sorte ainda ela teve de não ter ninguém dizendo, olha não faz isso ou aquilo porque não dá dinheiro ou porque não quero ter um filho fazendo isso ou aquilo.

Lembro do meu marido da amiga da minha tia que tem um filho ator e outro hoteleiro e do jeito raivoso como ele debochava dos filhos "Olha Massako, olha que beleza que ficou minha família, tenho um filho cozinheiro e outro viado!" - sendo que o hoteleiro nunca chegou perto da cozinha e o suposto viado tinha acabado de casar apaixonado com uma mulher. Ele realmente não conhecia os filhos e no fim, acabou perdendo os dois para a distância que foi se tornando cada vez maior.

À parte dessa confusão toda, das influências nas escolhas dos outros, escolhas que deveriam ser individuais e livres de pressão, com direito a errar várias vezes para acertar eu ainda me espanto com um país tào diferente do meu, onde ser pedreiro dá uma baita grana, onde os cineastas saem pelo país fazendo bicos pra poder filmar, onde tem gente fazendo faculdade de florista ou escolhendo ser faxineiro porque é um ótimo faxineiro. É uma estrutura muito diferente, não apenas econômica, mas mental. E entendi que esse negócio de ter uma profissão de nome tava na minha cabeça e provavelmente na cabeça de todo mundo no meu círculo de convivência e que se eu não tivesse saído, jamais teria percebido o quanto eu estava distante de mim mesma porque junto com o lance da posição, das "responsabilidades do seu clã" vem a exclusão social.

Depois de ter estudado no colégio sobre excluídos daqui e dali, eu entendi o significado dessa palavra, percebi a exclusão gritando na minha cara, me colocando como exclusora ativa, passiva e como excluída - percebi que estava vivendo de acordo com padrões que excluem ao invés de incluir e o quanto esse orgulho e essa batalha difícil (que é simplesmente o que é, uma batalha difícil) para se fazer me fizeram subestimar a inteligência de tanta gente e minha própria inteligência. Hoje, eu vejo quanto tempo eu perdi batalhando para estar num time, para não cair para a segunda divisão, para chegar na primeira, e vejo quanta burrice vem com a soberba e quantas lágrimas, reais, dólares, energia eu teria empregado melhor para saber o que eu queria da vida e o que estava disposta a oferecer realmente.

Esse tempo me mostrou o poder da mudança, de largar tudo e que são poucas as coisas que a gente precisa, o resto é conforto ou excesso, mas que o mundo gira mesmo baseado no que a gente quer. É a nossa vontade que faz a ponte entre o mundo de idéias (os sonhos) da realidade. Se não existe vontade, não existe realização.
Aos poucos esse conceito de auto-conhecimento está entrando na minha cabeça, porque se eu não souber o que gosto ou não, nunca vou poder fazer o que gosto, que dizem por aí, é a fórmula dos bem resolvidos de verdade!


Então, nesse tempo que segue sua eternidade, parto de um ponto que dá um sorriso singelo, daqueles que não mostram os dentes (ainda), mais feliz e menos bobo, trabalhador, para continuar colecionando figurinhas por esse mundão afora (agora já sei o que fazer com elas... é pra completar um álbum meu Deus do céu!!!)

1 comment:

Thaís said...

ADOREI, Cy!!
Nem preciso dizer que super me identifiquei com o seu texto, né?
Vamos ver se no ano da justiça a gente consegue reaver o que a gente deixou para traz!!
Bjo grande pra vc..