Tuesday, December 29, 2009

Respire fundo


Entendo agora o que eu vim fazer aqui do outro lado "do outro lado" do mundo, sim, é onde eu estou... em Perth... isolada da civilização, definitivamente.
Perth 'e uma "cidade grande". Para o meio de lugar nenhum é realmente grande! O centro da cidade tem três ruas principais e fica a quinze minutos da minha casa (o que nunca aconteceu antes...digo, eu morar perto do centro de alguma coisa).
Fora isso, faz um calor horrendo de noite que combina muito bem com os barulhos da porta do meu quarto no meio da madrugada, aqueles que fazem qualquer ser humano querer ficar bem acordadinho para ter certeza de que nao abriram a porta do inferno enquanto você cochilava.
De resto, as pessoas são muito legais, são tão gentis que quem vem de um lugar onde generosidade custa um favor aqui e outro ali que nem eu, fica achando que deve ter alguma coisa errada com a água do lugar.
Mas isso é normal para eles... se ajudar, receber bem as pessoas novas, amar cuidar do jardim, que é minha mais recente descoberta: a casa que eu moro tem um jardim simpático com uma parreira, três tinas com pés de limão siciliano, quatro ficus podados e um gramado semi esturricado pela estação, onde o James, meu flatmate, e os amigos dele tomam cerveja até cair a cada dois ou tres dias. Debaixo da parreira fica a mesa onde fazemos a maior parte das refeições e de onde eu tenho meus melhores momentos de ócio criativo ou nem tanto.
Acho que faz muito tempo que não sabia o que era curtir uma casa... aproveitar a luz que entra no quatro para escrever, desenhar, colocar as idéias no lugar.


Eu achava que trabalhar no Guillaume tinha feito um bom estrago nos meus pés e em outras partes do meu corpo que não voltaram pro lugar, no entanto, não tinha percebido nada até o João falar no meu picnic de despedida " nessa idústria (hospitality) é muito fácil você perder a paixão quando não está no ambiente certo, é muito rápido (e estalou os dedos) para você se perder".
E foi exatamente o que tinha acontecido comigo. Eu tinha perdido a paixão. Não tinha percebido que eu tinha perdido a fé no meu trabalho, pior, perdido a confiança em mim mesma, tanto que estava a ponto de jogar tudo para o alto e voltar a ser RP... (que vamos combinar...putz melhor morrer de catapora!). Estava tão sem confiança que um emprego de vendedora de enciclopédia era minha mais nova meta de vida.

Acabei indo para o Brasil para passar boa parte das minhas férias na cozinha da minha mãe. Estranhamente, as grandes transformações culinárias da minha vida acontecem naquela cozinha, esparramadas na pia de granito (que mal sabe ela, é ideal para arte em chocolate!) e naquela mesa de 50 mil anos e tampo de vidro que eu e minha irmã provavelmente vamos nos estapear se um dia ela virar herança.
Durante duas semanas eu me muni do amor pela minha família e principalmente pela força do grande momento da vida da minha única irmã, para dar a ela o meu presente! Para entregar, não um eletrodoméstico embrulhado, mas sim o presente de ser presente como companheira do grande acontecimento da vida dela: o casamento!
E Deus, como ótimo empreiteiro que é, magnanimamente, incansavelmente, pacientemente se encarregou de me mostrar que existe um lugar no mundo para mim que é dentro de mim mesma e pode montar acampamento em qualquer parte do mundo.
Quando meu tempo lá estava para terminar, mais uma etapa começou.
Entao, subi num aviao para encarar o patisserie lounge do Azure. E foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Encarei o trabalho como um oportunidade de voltar a andar e eu caminhei(com as minhas proprias pernas). Este foi meu presente de Natal.
Acho que isso vale para qualquer pessoa... esse tipo de lembrete sutil de que é muito fácil perder o gosto pelas coisas se a gente não está no lugar certo. Mas seja qual for o caso, nenhum dinheiro, status ou quiz de tabuleiro vale a sensação de estar em paz com o mundo e o mundo em paz com você. Quando existe paz então, é batata! É como se os quatro dias que levam para fazer marron glace passassem num instante e você está pronto pra descascar as castanhas de novo!

Quando a gente olha as coisas de fora, muito do que a gente empurrava com a barriga por não saber como sair fica fácil de resolver e ai, vem aquela vontade mor de se chutar porque " como foi que eu deixei isso tomar conta de mim? como foi que eu arrastei isso por tanto tempo??? Por causa de uma geladeira?" ... qualquer que seja o eletrodoméstico da sua preferência, ele nao vale a sensaçao impagável de chegar em casa, chutar os sapatos pro lado e fazer o que der na telha.

Olhar de fora é tão bom... é o melhor lugar para assistir a novela das oito que é a nossa vida... é quando a gente diz "meu!!!!!!!!!! como você não enxerga que ela só se casou com você por dinheiro e que quem gosta mesmo de você é filha da Odete que limpou o seus sapatos com as lágrimas de um esquilo????" - "que burro!"

E essa clareza ajuda a tomar decisões importantes no melhor estilo break through, aquelas que vc decide dar o tiro de misericórdia e terminar um namoro que já azedou ou dar uma chance para alguém que não é bem seu tipo.
A vida tem é urgência que a gente aprenda as lições a tempo de viver as novas experiências de amanhã. Ela sempre dá um jeito de fazer o novo chegar. É preciso entender que o bom de viver é estar vivo!

A minha experiência me diz que o maior presente que a gente pode dar para o mundo é a resolução de si mesmo.

Minha prece é que esse clima de resolução alcance mais pessoas. Que existam mais finais felizes e de boa ventura para o que está por vir. Que exista vontade e que aquilo que está perdido encontre seu lugar no mundo. A gente tem sorte!... só de respirar já estamos ganhando!Vambora crescer porque nenhuma confusão dura pra sempre!

Respire fundo porque esse sopro é fortuna disfarçada de oportunidade.

Wednesday, December 9, 2009


Estou ilhada num mar de roupas... preciso parar um segundo.
Não acredito que vou mudar de novo. E dessa vez, nao vou carregar mobília, nem um milhão de malas, só uma. Estranhamente, sei exatamente o que tenho que levar e mais estranhamente, não estou indo para a rua de baixo, não estou indo para nenhum lugar familiar.
Tudo é novo de novo. Há dois anos, larguei tudo para uma vida nova e agora, me vejo fazendo tudo isso outra vez.
Resolver mudar foi um ato de coragem, talvez mais coragem do que da primeira vez, porque da primeira vez, eu estava querendo salvar a minha vida e não iria negociar minha integridade física, minha sanidade. Mas dessa vez, é diferente. Não houve sofrimento, nem dor, nem desespero. Dessa vez, existem relacionamentos que foram construídos e beijos e abraços e amigos e conhecimento que precisa caminhar.
Como se a vida me olhasse de frente e dissesse "estou te dando de presente uma nova aventura. Não se trata de uma nova chance, de um recomeço, mas de uma continuidade que é parte daquilo que você escolheu se tornar".


Estou ilhada... num mar de roupas, de cores de apelos. E por mais que eu saiba e sinta que tudo está bem... uma nostalgia me bate à porta. Preguiçosa, aquela que nao quer fazer nada, ouvir nada, pensar nada... que estar ali, esparramada em sentimento, em um contentamento insatisfeito dos voláteis câmbios dos impressionáveis e impulsivos.

E quando fecha os olhos esta célula de consciência explode em euforia. Euforia do novo, do calor do desconhecido que provoca calafrios. Dos rostos, da paixão por um ofício, do novo amor distante, agora mais longe, mais perplexo e que não pode declarar-se porque tanta coisa está na frente, tanta vida para ser vivida e resta uma angústia que pede que a vida dê uma chance para que o impossível e o improvável se encontrem no alto de uma montanha para ver o nascer do sol.

Ali do alto, nós que viajamos pelo mundo, que vivemos o que muitos apenas ousaram ler a respeito, também nos entregamos, para nós existe também cansaço e conflito. Existem próximas viagens, porque nunca estamos convencidos. A vida é curta e está em todo lugar num planeta tão antigo como esse e que vivemos.

Um truque do ego ou do destino... o que seria do ser humano sem conflito?

De volta ao meu mar de roupas... me ajuda com isso, por favor?

Monday, November 2, 2009

Um bolo de lã, galhos secos, pedaços de telhado, insônia, um morto, angústia e o FDP que cantou a madrugada inteira a mesma música




Dormi muuuuuuuito mal essa noite!

Hold on... but don't hold too tight... Let go you're gonna be alright, don't run away from what you're heart is saying... toda vez que essa música toca no meu playlist eu pulo... porque a gravaçao é muito alta e parece que eu liguei um alto-falante dentro da minha cabeça. Mas hoje, quando vim aqui escrever já estava tocando e lembrei o pq de ter colocado essa música na minha playlist... para dias em que me falta ânimo.

Esta semana fiquei praticamente me arrastando pelo apartamento, da sala para a cozinha, da cozinha para o quarto, do quarto para o banheiro, do banheiro para a sacada... esperar por alguém é um pé no saco... quem foi o estúpido poeta morto que escreveu sobre esperar eternamente por uma resposta, uma pessoa, qualquer coisa???? Ele obviamente devia ter inclinações masoquistas (que gosta de sofrer)- eu por minha parte estou com inclinações sadísticas (que gosta de bater) direcionadas à poesia da espera.

E antes que me perguntem, não, não estou apaixonada... estou só levemente obcecada pelo fato de que já faz uma semana que não tenho notícias do meu empregador com detalhes do meu emprego... pronto, eu disse... saiu...

E enquanto isso, o tempo está passando e continuo na espera. Já coloquei na cabeça que se tudo, absolutamente tudo der errado, faço as malas e volto para o Brasil e pelo menos chego a tempo de comer Chocotone para o natal e dar um peteleco na cabeça do meu primo por ter brigado injustamente com a minha tia...

Meu Deus, o que custa essa gente desempatar a vida dos outros??? Não fazer nada me incomoda tanto quanto fazer coisas demais... tempo livre tem que ser vivido sem culpa e não com o peso de não estar fazendo nada produtivo.

Para completar a minha lista de desesperos, acabou o pão! E está um p*** sol lá fora que antes seria uma super razão para sair de casa e me expor aos raios UV não fosse pela prapaganda traumatizante do governo australiano mostrando um melanoma maligno destruindo a vida de uma pessoa saudável em rede nacional e finalizada com frase "there's nothing healthy about a tan!" Ou seja, minha vontade andar até o mercado é igual ao meu saldo de namorados no último ano: zero!

Talvez tanta desmotivação tenha a ver com fato de que eu dormi muito mal a noite passada, acordei só umas cinco vezes... mea culpa... antes de dormir fui ver um negócio do SONEN da igreja messiânica online (nao sou da messiânica, mas achei legal o tal do encaminhamento dos antepassados para a purificação que a minhatia Má sempre falou). Só não contava com o fato de que a simples frase : "Meichu sama, estou encaminhando o sofrimento de um antepassado que está se manifestando através de mim para que esse sentimento seja purificado e essa pessoa que não sei quem é seja salva" fosse me dar trezentos pesadelos com um parente morto anos atrás (agora pode soar engraçado, mas na hora não foi). Juro que a intenção foi boa, mas recomendo que isso seja feito durante o dia, pq antes de dormir o efeito colateral é um tanto perturbador.

Fora ficar rolando como um espeto de carne na farofa a noite inteira, quando eu finalmente consegui cochilar, um dos vizinhos coloca uma gravação de uma música horrível para repetir vaaaaaaaaaaarias vezes e cantou junto (todas as vezes em que a porcaria repetiu)!!! - Me diz, o que você faz numa situção dessas??? Estava quase indo bater na porta da minha flatmate para perguntar se ela não estava afim de jogar uma partidinha de buraco na sacada e acordo de manhã como um jornal velho... aquela aparência de que você viveu dois anos em 8 horas.

O resto do tempo de suposto descanso eu fiquei lembrando de cenas de "Hancock" com Will Smith, e no meio dos meus devaneios me senti no meio de uma bola de lã com galhos secos, pedaços de telhado e todas aquelas coisas que só a computação gráfica daria jeito... se alguém sabe interpretar sonhos, por favor, enlighten me!

Minha irmã sempre diz que comer muito também dá pesadelo, mas eu nem comi tanto assim, só um bowl de pasta com quatro nuggets de esponja, digo, de frango (fico imaginando o que a Ingahn's Frozen Chickens faz com o resto do frango porque de todos os produtos que eu comprei só lembro de um que dá pra ver as fibras do frango, os outros sempre me lembram a esponja de banho da minha casa, mas honestamente, não acho que seja suficiente para um pesadelo, deve ser por causa do Sonen mesmo ou talvez o Hancock.

Bem, chega de reclamar... acho que já reclamei bastante e lembro do meu amigo Bruno falando que ele cancelou o blog porque só ficava reclamando. Ou seja, não quero terminar o blog... gosto dele apesar dos meus seguidores serem meus melhores amigos e meu público leitor se restringir a 5 amigos de amigos hehehhe não importa... adoro escrever, não obrigo ninguém a ler, só gosto muito da idéia de por falar tanta coisa sem sequer abrir a boca... quem sabe um dia alguém comente sobre tudo isso e eu fique famosa! No entanto, não se preocupem, sei que alguém que escreve sobre frango esponjoso não é exatamente material de filme hollywoodiano... anyways, a girl can dream.

Prometo que vou me empenhar em injetar um pouco de ação nas minhas aventuras cotidianas... plantar uma árvore de dinheiro ou quem sabe esbarrar com John Mayer na rua e ele dizer "Oh! Estou perdido, me ajuda por favor!" ... a única coisa é que ando desinteressada do JM ultimamente e ele mora em New York... tudo bem, vamos ver então se consigo fazer um surfista italiano dar bola para mim na fila do Thai takeaway! De qualquer forma, vou me empenhar e queridos leitores, comentaristas, pacientes da psiquiatria, conselheiros e psicólogos, este também é um espaço para vocês!

Obrigada por lerem este post sobre nada, mas estranhamente, precisava colocar tudo isso para fora. Oh céus, já me sinto melhor! Acho que vou sair para comprar o pão!

Wednesday, October 21, 2009

SOBRE A EMPOLGAÇÃO DE VOLTAR PARA CASA!


Na última temporada de "A Odisséia de Mamori na Austrália" a mocinha da nossa história estava tomando cataflan para se recuperar de subir e descer 400 vezes os quatro andares do seu antigo prédio para mudar-se ás pressas e desesperadamente para a rua de baixo quando seu bonito e folgado flatmate HOMEM não ajudou nada em nenhum dos dois dias de mudança porque ele tinha que assistir 'vídeos animados na internet, digo, tinha que que fazer uma apresentação para a universidade, deixando Mamori para queimar 300 milhões de calorias em 48 horas junto com a outra flatmate guerreira "Formiga Atômica", que no final do dia já estava praticamente um louva-deus pois os braços em forma de abraço do caixote não mais mexiam!
Tudo isso emendado no fato de estar temporariamente desempregada, porém livre do inferno e de no auge da mudança ter que sair por quatro horas para ir a um treinamento do novo emprego!
Oh! Esquecemos de contar! Mamori conseguiu um novo emprego numa empresa consideralvelmente (acrescente quantos mentes quiser) mais razoável que a empresa passada. SIM Mamori terá um emprego quando voltar das merecidas férias no paraíso tropical do Brasil!!!! Uhuuu.

UFAAA...

O importante agora é que Mamori vai de férias ao Brasil, comer empadinha de camarão e pizza de calabresa!
E mesmo que nesses dias que antecedem a viagem ela mal consiga dormir, tamanha é a ansiedade, tudo bem, compensa pois em breve ela poderá dar abraços de urso em todos os seus familiares e amigos!

- Ok narrador, obrigada pelos seus serviços mas agora gostaria de dar umas palavrinhas com o meu público leitor.

Alô, alô, testatando? Estão me ouvindo? Ou melhor, lendo?

Ótimo! Caraca... nem acredito que estou aqui para dizer que estou contando os minutos para chegar no Brasil!
Depois de ter passado por uma super odisséia em que trabalhei, estudei, pedi demissão, arrumei outro emprego, me mudei enquanto começava no outro emprego e administrava o site de casamento da minha irmã e todos os compromissos extras com o Le Cordon Bleu, os amigos e etc, etc, etc, estou sonhando com o fato de que em breve comerei uma coxinha com catupiry dentro!
Aliás, fiz uma lista de coisas que quero comer quando chegar no Brasil, não que eu esteja indo só para comer, mas é uma boa parte do que quero fazer aí (no entando, minha odisséia gastronômica terá início apenas depois do casamento pois não quero entrar na igreja parecendo um bucho enrolado num pano verde!):
Lista para mim mesma:

- coxinha com catupiry
- empadinha de camarão;
- pastel de queijo e caldo de cana;
- pizza de calabresa e frango com catupiry;
- moqueca de camarão da minha mãe
- onigiri da bá com bife a milanesa e pastel de carne!
- churrasco do villas
- churrasco da mãe da Thatá (asinhas com queijo?)
- churrasco do meu pai (puxa... acho que gosto mesmo de churrasco)
- brigadeiro e beijinho da Thatá
- pão de mel da munik
- bem casado e todos os doces do casamento
- mandioca frita
- banana frita
- caldo de mocotó
- Sushi do Hiroshi
- qualquer coisa que a Bá cozinhar
- acarajé... no entanto não sei onde conseguirei um bom em SP - aceito dicas
- escondidinho de carne seca e mandioca
- leitão a pururuca e tutu de feijão com farofa de ovo
- feijoada com couve
- hot dog com tudo dentro
- sanduba de campinas daquele lugar que a gente come a noite
- manga, melancia, goiaba vermelha, caqui, jabuticaba e ponkan

OH Céus, sinto que vou engordar!

Preciso:

- marcar uma consulta com a nutricionista depois de comer tudo isso
- NÃO marcar consulta com a endocrinologista
- fazer drenagem linfática e talvez me internar no mesmo spa do Daniel Oliveira quando ele filmou CAZUZA.
- Todas essas consultas me fazem lembrar que talvez eu precise dar um jeito nos cascos... isso - marcar consulta com o Ivan.

Melhor começar a descer pra Manly a pé e não tomar mais o ônibus...!

A parte disso... que o tempo passe muito mega master ultra-sonicamente veloz pra eu chegar no Brasil rapidinhooo!
Meu povo e minha pova! Estou chegando! Preparem o sal de fruta!
PS. Perdão aos seguidores do blog que recebem mil atualizações dos meus posts... mas é que mesmo corrigindo várias vezes ainda faço erros gramaticais... hehehhehe
PS. Quero abraçar todo mundo! Não estou abandonando ninguém pela comida. Mesmo porque, isso é algo rude ir em festa só para comer... ahahhahhhaha

Monday, October 5, 2009

Incrível




Impressionante.



Impressionante mesmo é encontrar paz num trecho copiado de um livro saído do coração outrora tocado pelas palavras de alguém, ou simplesmente poder ver que está sol lá fora e que é uma sorte não ser soldado em guerra, escravo de alguém ou vítima de qualquer tipo de abuso que seja.



Impressionante mesmo é a maneira transcendental como o ser humano se cura do passado, das moléstias do presente, de um tombo, de um episódio desses assim, que te faz parar para pensar que o mundo inteiro deve ter desacelerado para olhar, e sentido sua vergonha ou sua dor ou sua resignação silenciosa.



Impressionante é ter coragem de sair, de começar de novo, de terminar, de perguntar, de abrir os olhos, de fechá-los; quando os inúmeros julgamentos sociais te silenciam, te ignoram ou te sufocam.



Impressionante é ainda ser capaz de se emocionar quando a loucura dos homens te arrebatou por inteiro, estraçalhou sua noção de realidade, seu senso de espaço e direção. Tudo isso por um pedaço de carne ou pelo simples fato de que seu nome ou o título que te deram sei lá por qual razão passa por cima do seu discernimento entre certo e errado, aquele discernimento interno que vem no pacote de ser humano.



E acho até engraçado as pessoas que saem por aí falando que não existe certo e errado, que são apenas escolhas diferentes (devagar aí... uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa). Todo mundo que tem filho, irmão mais novo, primo mais novo, afilhado e sei lá mais o que, ensina que é errado roubar, desrespeitar, extorquir, trair e chantagear... mas talvez, o que me preocupe mais é saber que quando eles forem experimentar o mundo por si mesmos vão encontrar uma realidade diferente daquela que foram ensinados a praticar.



Para mim, se certo e errado não existisse a gente não passaria tanto tempo tentando fazer a escolha certa e não se sentiria tão mal quando faz algo errado.



Em pleno século XXI, enquanto o homem estuda o espaço inter-atômico do DNA ainda engatinhamos para exercitar o perdão sincero, a gratidão que é um sentimento vindo da graça e a compaixão que é o ato de se colocar no lugar do outro antes de atirar uma pedra, soltar veneno pela boca ou negligenciar as necessidades de alguém. Mais que isso, é ver que bondade genuína soa para a maioria dos grupos mais descolados e/ou cocainados da cidade como uma frase de para-choque de caminhão, mais precisamente um clichê politicamente correto.



Impressionante é ver que tem gente tão absorta num problema que não vê que o verdadeiro problema está no coração e não na cabeça e muito menos nos outros. Que o pior tipo de incompetência é não saber dar e se permitir uma coisa que está aí como característica inerente: amor.
Não estou falando só do amor pelo próximo (porque disso já escreveram tantas e tantas vezes) estou falando do amor por você mesmo, pela sua naturalidade, pela grandiosidade que permite com que você seja, inexoravelmente a melhor versão de si mesmo, livre dos conceitos estereotipados das revistas, das grotescas mentiras que se conta para si mesmo ou das falácias maldosas da amiga que está sempre na moda, andando com as pessoas certas e que adora poder.



Me pego pensando que enquanto a gente tem que provar que é honesto o bastante, inteligente o bastante, qualificado o bastante, limpo o bastante, bonito o bastante, agradável o bastante, o tempo está passando e quando velhos e cansados, mortos e em espírito, tudo aquilo pelo qual derramamos sangue e lágrimas significa exatamente nada se você não usou o que te foi dado para o bem.



Por isso, por experiência própria, entendi que não se deve fazer nada por obrigação ou compromisso porque a gente não deve atar o outro às nossas escolhas, nem se atar às escolhas dos outros. É mais justo para as partes fazer porque quer, estar ali porque quer e ao escolher estar ali, estar por inteiro e não pela metade.



O cotidiano deve ser mais divertido e bonito do que realmente é porque ao invés de apenas ler sobre as grandes jornadas dos homens, é possível fazê-las, viver tudo aquilo que está nos livros, conversar com gente diferente, dormir na praia e acordar no alto de uma montanha nevada. Sair do centro para encontrar o próprio centro. O dentro profundo onde retomamos nossa condição de liberdade.



Encorajo quem passa por mim a viajar e ver o mundo com os próprios olhos, escrever seu próprio diário. Encorajo a experimentar viver numa cidade diferente, a fazer uma horta, comer aquilo que plantou, pelo menos uma vez na vida para saber como dá trabalho fazer crescer um repolho que é de onde os pais dizem que vêm os filhos. E apoio comprar de artistas desconhecidos e desapegados para incentivar o novo, e gosto de produtores responsáveis e simples que deixam as galinhas serem galinhas e apagam a luz quando fica de noite.



Tudo isso porque hoje o mundo está de um jeito e espero que amanhã esteja melhor.



Espero sinceramente que amanhã não tenham que gastar milhões para dizer para as pessoas que matar alguém não é legal, que grandes corporações têm matado legalmente um monte de gente por causa de pedaços de papel com cara de presidentes assassinados e espécies em extinção, que quando você joga lixo na rua os bueiros mal projetados das grandes cidades entopem e alagam o consultório da minha irmã e a casa da sua mãe e que muito provavelmente esse lixo ainda vai estar no mesmo lugar na sua próxima encarnação.



Espero que amanhã, meus filhos não tenham que imigrar para saber o que é correr livre num parque e voltar tranquilos para casa depois das seis sem ter que pegar um engarrafamento ou pensar em vinte maneiras de evitar um assalto. Espero que não tenhamos que tocar mais nesse tipo de assunto e que todo nosso tempo seja para discutir onde podemos melhorar e não onde continuamos errando.



Impressionante é ver gente com a qual poucos falariam oferecendo uma mão, e que quem você nunca esperou que fosse estar ali ao seu lado quando você nunca imaginou estar em determinada situação, acabou de fato dividindo seu assunto de cabeceira e compartilhando dos seus sonhos e pratos de macarrão.


Impressionante é ver irmão tirando do irmão por vaidade ou cruel ambição e ver gente que tem muito pouco ou quase nada dar tudo o que tem porque fora da caridade pouca coisa faz sentido. E tudo aquilo que agride, complexos, distúrbios, paradoxos abandonam o que são porque nem eles mesmos vêem sentido e pedem paz.

Paz para tomar decisões melhores e mais conscientes, paz para caminhar, para se apaixonar, para lavar a boca, voltar atrás, chutar o balde, entender qual face assume qual momento, paz para viver inspirado, para gritar, cantar ou calar, paz para ceder, paz para ser alguém nesse mar de 4 bilhões e mais alguns.

Impressionante é saber que ás vezes tudo o que se pode fazer é contar uma história, mostrar as fotos e os filmes, esperando que quem veja e/ou escute aprenda alguma coisa com ela e seja melhor. Não pelos outros mas por si mesmo e consequentemente para os outros, se assim desejar.



Impressionante é como a vida é imprevisível e que mesmo assim existe uma canção certa para cada ocasião. Impressionante se espantar e comover com o humano, com o coração que bate, com as mão que dão forma à humanidade,com aquilo que se pode fazer e escolher.


Impressionante, não...incrível! Como tudo aquilo que é possível amar. Incrível como nosso futuro.

Sunday, September 13, 2009

Um segundo no tempo

Por um segundo o tempo parou. Por um segundo, olho a minha volta e agradeço pelas coisas bonitas do meu dia. Agradeço pelo ônibus que chegou na hora, pelos meus pés que me sustentam e me levam onde quero chegar, pelos atos aleatórios de bondade de estranhos para comigo, pelas gentilezas e companhia dos meus amigos, pelos laços eternos e pelo apoio incondicional da minha família.
Agradeço pelas flores pelo caminho, pelos lindos olhos que vejo durante meu dia e pela luz nos meus. Agradeço uma gargalhada que há um tempo não dava e por tudo aquilo que me faz forte e paciente. Agradeço a suavidade da vida, valorizo os segundos em que mágica acontece para que eu me lembre que sou protagonista desta história e que ela merece um final feliz.
Só por hoje, neste momento de silêncio e consciência alerta percebo que saber pedir é tão importante quanto receber um pedido e que sorte mesmo é ter tempo para viver a vida ao invés de ouvir falar dela.
Neste instante de silêncio entendo que a presença do divino é calma e simples e que esta conexão está em qualquer lugar. Entendo também que agradecer faz bem ao coração e lembra que o tempo é curto demais para se gastar com qualquer outro sentimento que não seja forte, puro e constante como o amor.
Neste instante, vale à pena render tributo à vida pela sua magnitude e perfeição, vale entregar-se por completo porque quando amanhecer, o tempo já terá passado e as graças estrão prontas para acontecer.

Friday, August 14, 2009


Comecemos pelo começo...

Eu estava procurando trabalho pra completar as benditas 600 horas do meu industry placement e por um mês procurei como uma insana, apliquei para todos os tipos de trabalho, a ponto de pirar na batatinha. Estava tão estressada que liguei pra Má para perguntar onde eu poderia comprar um floral para estresse. Por uma semana dormi com dor de estômago de nervoso. E quando cheguei na farmácia, comprei não apenas um floral, como praticamente todos os produtos calmantes disponíveis nas prateleiras.

Assim que eu tomei o floral, pá! Da noite para o dia recebi quatro ofertas de emprego seguidas (e fiquei pensando... cara, esse neg'ocio funciona que é uma beleza!!!).


No meio das ofertas tinha um e-mail do meu chef da faculdade falando "Mamori, se você ainda estiver procurando trabalho, estão procurando gente no Bennelong, na Opera House, procure pelo chef Guillaume Brahimi, ele é um excelente chef e é muito conhecido na Austrália".



Três coisas: eu nunca tinha ouvido falar em um restaurante chamado Bennelong na Opera House, muito menos em Guillaume Brahimi, muito menos ainda que ele era conhecido em algum lugar e achei até que fosse um desses exageros de chefs franceses querendo puxar a sardinha para o lado deles.



Então, liguei para minha enciclopédia ambulante, o Dervish... "Dervish, você conhece um tal restaurante chamado Bennelong, tem um e-mail do chef Brioche me falando que estão procurando gente lá".



"Are you kiddiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiing??? Claro que conheço, é um dos melhores restaurantes da Austrália, não fica melhor que isso!!!" Liga agora!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Está entendendo??? Agora!!!


E liguei e mal sabia que essa ligação mudaria minha vida.


O chef me pediu para ir vê=lo no mesmo dia.

Eu fui... Cheguei lá, me recebeu um português que mais tarde descobri que era o head chef, ou seja, ele é o poder! E o poder fez calar os liquidificadores para me explicar as seções da cozinha que pareciam gigantes e assustadoras.

Enfim, no dia seguinte, eu tinha um trial. Nao fazia idéia do que ia acontecer, afinal, eu tinha Perth na mão, com um chef que mais parecia a reencarnação de São Francisco que um chef de tão bondoso que era.

Trabalhei por 12 horas naquele dia e no final da noite o head chef me perguntou se eu tinha gostado e queria voltar. Eu falei "Claro!" Afinal, quando te oferecem um emprego no tal do Bennelong, você não pensa duas vezes, simplesmente vai e aceita.

Eu aceitei esse trabalho e com dor no coração, comuniquei o chef de Perth da minha decisão que como todo bom santo me deixou as portas abertas.

Na mesma semana trabalhei sexta e sábado e na semana seguinte, mais cinco dias seguidos, mais de 12 horas por dia a ponto de não sentir mais os pés. Minhas mão ficaram calejadas, queimadas, com bolhas, e meu corpo inteiro doeu.

Como sou a garota nova, a australiana que me da os comandos rosnou e latiu para mim porque não sei fazer ainda tudo com perfeição de um restaurante 3 hats. Uso minha casa praticamente so para dormir e tem horas que me dá medo só de pensar em voltar ao trabalho.

Minha família está orgulhosa, assim como todos os meus amigos... mas a verdade é que só eu sei o que meu corpo e mente passam nessas horas de trabalho pesado, mais pesado que o de um pedreiro. E que no fim das contas o restaurante ter três hats ou nenhum hat não muda o que eu sinto.

Aprendi a passar praticamente o dia todo sem conversar com ninguém. A ficar calada e só obedecer, dizer sim e pronto, mesmo que não seja minha culpa, engulo e falo yes chef, yes, sir, yes mamn.

Este está sendo como um processo dos alcólicos anonimos, um dia de cada vez. Antes eu amava ver a Opera House... hoje me dá tremedeira.

Trabalho sem reclamar. Estou admirada com o que meu corpo consegue aguentar. Eu agradeço ter trabalho, porque sei que a graça divina deve ter um plano maior do que a minha compreensão no momento.

Não consigo contar isso de uma forma engraçada. Só posso defender os trabalhadores de cozinha que pegam no pesado como a gente. Sei que existem lugares em que mesmo que seja duro, as pessoas cantam e dão risada e relevam os erros. Lá, onde estou, perdoam meus erros, mas nunca relevam.


As pessoas não têm idéia do que se passa na cozinha de um restaurante e não estou falando de uma cozinha qualquer, estou falando de uma cozinha onde existe dinheiro e infra-estrutura: as pessoas não sabem que quando alguém reclama, somos humilhados, xingados e agredidos. Trabalhamos mais de doze horas por dia, com salários baixos e sem intervalos para ir ao banheiro, comer numa velocidade razoável ou respirar ar puro. Isso é lei comum na maioria dos restaurantes que existem por aí, inclusive no Brasil. E todo mundo diz que o sistema é assim e que a gente precisa se adequar a ele.

Eu emagreci. Acabei com meus band-aids. Não sinto raiva, cada minuto é precioso demais para gastar com raiva.



Nunca mais vou olhar um restaurante da mesma forma, não reclamo mais de atraso, de espera de marca de dedo no prato.


Não trato ninguém mal, não desconto nos outros, não respondo e continuo gentil. Como disse Chico Xavier, "o ódio que julga ser a antítese do amor, nada mais é do que o amor que adoeceu gravemente" e os doentes, necessitam de cuidado.


Preciso espalhar no mundo a idéia de que precisamos ter compaixão na 'prática, muitas vezes, aquilo que é da maneira que é, não necessariamente está certo e a gente tem que ser a mudança que quer no mundo.


Essa é minha experiência e minha percepção. Não se trata de dó ou piedade.
Ainda estou me acostumando com tudo isso, com essa realidade que me arrebatou por inteiro.
Quando chegar minha hora de decidir, quero fazer do ponto de vista de alguém que faz isso com consciência.


Achei que esse tipo de absurdo cotidiano fosse simplesmente um drama de filme, mas talvez o filme tenha inspirado a realidade e francamente, não tenho muitas palavras para expressar o que eu presencio por lá.


Rezo o salmo 90 todos os dias para ter forças e persistir. Se estiveres em apuro, agarra-te à tua fé.


Você que habita ao amparo do Altíssimo,e vive à sombra do Onipotente,
diga a Jave: "Meu refúgio, minha fortaleza,meu Deus, confio em ti!"
É livrará você do laço do caçador,e da peste destruidora.
Ele o cobrirá com suas penas,e debaixo de suas asas você se refugiará.O braço dele é escudo e armadura.
Você não temerá o teror da noite,nem a flecha que voa de dia,
nem a epidemia que caminha nas trevas,nem a peste que devasta ao meio-dia.
Caiam mil ao seu ladoe dez mil à tua direita,a você nada atingirá.
Basta que olhes com seus próprios olhos,,para ver o salário dos injustos,
`porque você fez de javé o seu refúgio e tomou o Altíssimo como defensor..
A desgraça jamais o atingirá e praga nenhuma vai chegar à sua tenda:
pois ele ordenou aos seus anjosque guardem você em seus caminhos.
Eles o levarão nas mãos,para seu pé não tropece numa pedra.
Você caminhará sobre cobras e víboras,e pisará leões e dragões.
Eu o livrarei, porque a mim se apegou.Eu o protegerei, pois conhece o meu nome.Ele me invocará, e eu responderei.
Na angústia estarei com ele.Eu o livrarei e glorificarei.
Vou saciá-lo de longos diase lhe farei ver a minha salvação".