Friday, March 5, 2010

Tratado filosófico sobre carência, laranjas, amor, e o coração das mulheres



PREPARADOS PARA UMA DOSE DE HONESTIDADE? PREPARADOS PARA UMA EXPOSIÇÃO DE ALMA? PREPARADOS PARA LIDAR COM ALGO TÃO ÍNTIMO E DELICADO QUE CHEGA A CONSTRANGER?...


Não sei se conseguirei falar disso com elegância, com aquela sublimação feminina forte, sem parecer frágil, desesperada, carente... e humana. Não gosto da palavra carência... ela parece não ter dignidade alguma. Eu poderia escrachar a carência, fazer umas piadas engraçadas porque afinal de contas, é fácil fazer piadas e eu as faria facilmente.

mas HOJE NÃO.

Se eu me comprometi a ser honesta, vou quebrar o tabu e ser honesta até o fim. Devo isso a mim mesma. Se vão pensar menos de mim, ok que pensem menos de mim, vou me chatear por um tempo, mas vou continuar vivendo e talvez encontre dignidade nisso tudo. A dignidade da carência.

Eu sei que existem muitas mulheres que passam por esse momento e o escondem como se fosse a maior desonra da sua reputação e mesmo que seja difíci para mim falar do assunto, me pergunto, porque não?... Então, estou indo:

É horrível saber que a gente tem carência de alguma coisa... mulher tem horror a dizer que tem carência de alguma coisa, mulher solteira então nem se fala... a gente não fala que está carente de amor, de namorado, de sexo, de confiança, de apoio, de segurança financeira ou pessoal - as pessoas não gostam de gente carente, a sociedade excluiu os carentes a uma sub-raça - a moda agora é dizer que o importante mesmo é ser completo e encontrar outro completo para caminhar junto... ou seja, ao invés de uma laranja só, são duas laranjas! - não era para fazer piada, é só para explicar de um jeito lúdico.

Acredito que tem mulher que não queira casar, que não queira um companheiro, um namorado, um amor na vida... apesar de nunca ter conhecido uma que quisesse isso de verdade e de não me encaixar nesse grupo. Para dizer a verdade, nunca conheci nenhuma mulher e nenhum homem que se encaixe nesse grupo, mas deve existir...
Eu sou romântica, acredito que um dia vou encontrar alguém que é certo para mim, alguém que vai ser a tampa da minha panela... basicamente, acredito na metade da laranja e quero devolver o direito de consideração de quem pensa assim também.

Tenho notado que as mulheres desenvolveram um sistema automático de defesa, casadas ou solteiras, não se fala de fraqueza. Fraqueza é uma doença contagiosa e o negócio é ser forte e bem resolvida o tempo inteiro. O negócio é botar pra quebrar, fazer acontecer, e transformar carência em loucura. É fácil alegar insanidade (loucura, especialmente feminina, é aceitável), o difícil é admitir a carência.
O difícil é olhar para as partes que a gente não gosta na gente e acreditar que alguém vai amar aquilo tudo. Amar aquilo que a gente não sabe ou não é. AMAR aquilo que não está no padrão, amar aquilo que está em nós e a gente mesmo não consegue amar.

As pessoas não gostam de saber que o exemplo na verdade também não sabe o que fazer em muitos momentos... e quem é que pega o exemplo no colo e lhe beija as faces mesmo quando existem os defeitos claros e simples, que de tão simples e humanos destroem todas as expectativas de perfeição que foram criados?

A fé não mudou, o sorriso não mudou, mas e quando a gente descobre que o objeto do nosso afeto tem uma fraqueza que a coloca num lugar comum... não menor, não pior, mas simplesmente não ideal o tempo todo ou a milhas de ser ideal?

Ontem, sentei num banquinho de plástico e escutei dos meus amigos os conselhos que eu lhes daria... engraçado, geralmente, sou eu que falo, eu que passo a lição, eu que subo no banquinho para consolar, abraçar, entender, amparar!
Ontem, eu escutei e quis chorar, quis chorar um rio de lágrimas e quis muito que alguém esivesse lá para me abraçar. Ontem senti a dor de alguém carente e ridiculamente só.

Foi uma droga... não saber como responder à impaciência de precisar urgentemente sentir a presença simples do sentimento que é natural em nós!

Por outro lado, no meio do ridículo falei pelo menos uma coisa que fez sentido. Eu tomei decisões importantes (lembrei que a nossa natureza é amor e que é necessário manter em mente, essa linda parte de nós) e com alguma ajuda, entendi que ser completo não é pré-requisito para ser amado.
Não conheço ninguém que era absolutamente completo antes de ser amado, mas conheço muita gente que se completou quando reconheceu o amor.
Ser completo é uma tarefa em si árdua e não conheço ninguém que se conheça bem o bastante para masterizar a arte de si mesmo. De onde estou, sei que é fácil se frustar para alcançar o tal "estado completo" porque a verdade que está no ar e ninguém diz é que esse estado tem uma conotação diferente para cada um em cada momento da vida, e justamente porque a maioria de nós desgosta fortemente de sermos julgados pelo que não sabemos, concordamos para não expor nossa fragilidade.

Uma conclusão que ainda necessita ser completada.

O amor, segundo me contam os que são especialistas no assunto, os nem tão sábios, os cansados e até os inexperientes testemunham a favor, mesmo quando o estado recorrente é a busca por ele. Dizem estes que: o amor é tão magnânimo que completa e é isso. Mas também é sorte, escolha ou até acidente. Se leva tempo ou é rápido, já vi de tudo, gente que desmanchou noivado de 6 anos e casou com outro em 6 meses e gente que precisa ser encontrado, praticamente resgatado para o amor e que conseguiu!
Só preciso reiterar que o lance de ser completo: se estiver pesando na sua mochila, pode largar pelo caminho. Tudo bem ser se dar conta de uma carência e olhá-la de frente. Eu mesma tive que conversar com ela e o papo nem foi ruim... provocou mudanças para melhor!


Para todas as mulheres que estavam tentando ser uma laranja inteira, podem respirar, está tudo bem em acreditar que a outra metade vai chegar para te surpreender com um copo de suco de manhã. Está tudo bem, até não saber o que fazer está bem! Porque o rio sempre segue seu curso.

3 comments:

Thaís said...

Ei, ei, ei... já entrei aqui diversas vezes em busca de novos posts e até agora nada.
Temos que acelerar a produção, hein?! heheh

Saudade de vc, Cycy!!
Bjo no coração...

MaMoriMata said...

j'a tem post novo no blog... pode voltar a me visitar dona thata!!!

Thaís said...

Dona Thata is back!! ;)